O setor automotivo volta a viver um momento de tensão com a reabertura da cota de importação com isenção de impostos para veículos eletrificados desmontados e semidesmontados. A medida, decidida pelo Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior, começa a valer em 1º de julho de 2026, com uma duração de seis meses e um limite total de importação de US$ 463 milhões.
É importante destacar que este benefício se aplica apenas a veículos nas modalidades CKD (completely knocked down) e SKD (semi knocked down), ou seja, modelos que chegam ao Brasil desmontados ou em estágios de montagem reduzidos. Carros prontos, conhecidos como CBU, não estão incluídos na cota.
Para o governo, a ação busca aumentar a oferta de veículos sustentáveis no mercado e pode ser uma estratégia para fomentar a produção local. Entretanto, a reabertura da cota gerou descontentamento entre montadoras e fabricantes de autopeças, que veem a medida como uma vantagem competitiva para empresas que montam kits importados, ameaçando investimentos na cadeia produtiva nacional.
Contando com limites específicos, a nova cota destina US$ 84,5 milhões para híbridos convencionais, US$ 281 milhões para híbridos plug-in e US$ 97,5 milhões para elétricos puros. Para essas categorias de veículos, a alíquota de importação será zero, mas acima desses limites, as tarifas normais serão aplicáveis.
Paralelamente, as tarifas de importação para veículos eletrificados montados e semidesmontados aumentarão para 35% a partir de julho de 2026, enquanto os veículos CKD continuarão com uma alíquota de 14% até o fim de 2026. Esse cenário apresenta uma complexidade para o setor, que observa a manutenção de altos impostos, mas com uma exceção para montagens locais.
A montadora BYD, que já possui operações industriais no Brasil, está no centro dessa discussão, visto que a concentração do mercado de veículos eletrificados é significativa com sua presença. No primeiro semestre de 2026, ela teve uma participação de 65,67% nas vendas de veículos elétricos e 55,64% nos híbridos plug-in.
O governo reconhece que a medida pode trazer benefícios ao treinamento de pessoal e à melhoria de processos, mas avisa sobre o risco de “CKDização”, onde a produção local é substituída por montagens simples de kits importados com menor valor agregado.
Por fim, a nova cota não significa uma queda imediata nos preços de carros eletrificados ou híbridos, mas pode facilitar condições comerciais mais favoráveis, refletindo-se em uma oferta maior de versões eletrificadas, de acordo com as estratégias de cada marca.
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