Os dois principais modelos de carros elétricos mais acessíveis à venda no Brasil, o Emova Easy e o Emova Urban, tiveram suas vendas interrompidas devido a questões logísticas e tributárias. A E-Motors anunciou a suspensão temporária da comercialização com base no aumento significativo do custo do frete internacional e na elevação do imposto de importação para veículos elétricos, que chegou a 35% em julho. Essa situação preocupa consumidores e empresas do setor, que esperavam por um aumento na oferta desses modelos.
O Emova Easy, lançado por R$ 69.990, tornou-se o carro elétrico mais barato do Brasil. Já o Emova Urban, com preço de R$ 99.990, ocupava a segunda posição. De acordo com Mercidio Jivisiez, CEO da E-Motors, o custo de um contêiner de 40 pés disparou de US$ 1.800 para cerca de US$ 10.200, inviabilizando as operações. A empresa também informou que já devolveu os valores pagos como sinal para os clientes que reservaram esses veículos, sem previsão de retomada para as vendas.
Além desse impacto imediato, a E-Motors tinha planos de expandir sua atuação no Brasil, com a meta de comercializar mil veículos até 2026 e estabelecer cerca de 30 concessionárias. Porém, atualmente, opera apenas uma loja em Pedro Leopoldo (MG). A interrupção das vendas também atinge a identidade dos modelos, que se apresentaram inicialmente com nomes diferentes no mercado chinês, EV2 e EV3, mas precisaram ser rebatizados devido a questões de propriedade industrial.
Ambos os modelos são produzidos pela Jiangling Motors (JMEV) e foram projetados para a mobilidade urbana, priorizando um custo acessível e simplicidade construtiva. O Emova Easy se destaca por suas medidas compactas de 3,50 metros, possuindo um motor elétrico de aproximadamente 41 cv e autonomia de cerca de 200 km, enquanto o Emova Urban oferece um motor mais potente de 50 kW, proporcionando até 330 km de autonomia.
Com a suspensão das vendas, a estratégia de oferecer esses veículos a preços competitivos é inesperadamente afetada pela dependência de operações de baixo volume em relação aos custos logísticos elevados. O futuro da importação desses carros elétricos depende de condições mais favoráveis, tanto em relação ao frete quanto à tributação, sendo fundamental que motoristas, consumidores e frotistas acompanhem essa situação, que impacta diretamente a mobilidade elétrica no país.
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