O mercado de ônibus elétricos no Brasil teve um desempenho expressivo no primeiro semestre de 2026, com um total de 589 unidades emplacadas. Isso representa um crescimento de 92,5% em comparação ao mesmo período de 2025, quando 306 veículos foram registrados. Essa evolução é significativa tanto para motoristas quanto para empresas de transporte, uma vez que reflete uma crescente adesão à eletrificação do transporte coletivo, que pode trazer benefícios em termos de eficiência operacional e sustentabilidade.
Quando analisamos os números mais a fundo, o cenário se torna ainda mais impressionante. Comparamos com o primeiro semestre de 2024, quando apenas 127 ônibus foram entregues, e o crescimento alcança 363,8%. O volume registrado até agora neste ano já corresponde a 70% do total de 2025, que foi de 844 unidades.
Um dos principais fatores alavancando esse crescimento foi a entrega de um lote de 500 novos ônibus elétricos no sistema de transporte coletivo da cidade de São Paulo, realizada no dia 21 de junho. Com essa adição, a capital paulista agora conta com uma frota eletrificada de 1.759 coletivos, englobando tanto modelos a bateria quanto trólebus.
No mês de junho de 2026, o Brasil registrou 278 ônibus elétricos licenciados, um aumento significativo de 717,6% em relação a junho de 2025, quando apenas 34 unidades foram emplacadas. Esse crescimento também é notável em comparação ao mesmo mês de 2024, quando apenas 9 ônibus foram licenciados.
É importante notar que as oscilações mensais nos emplacamentos de ônibus são comuns, devido a cronogramas de produção das fabricantes e a processos licitatórios públicos. Por isso, os dados do semestre oferecem uma visão mais clara da evolução do transporte urbano elétrico.
A eletrificação do transporte coletivo ainda apresenta desigualdade em seu desenvolvimento geográfico. A região Sudeste, por exemplo, concentraram 79,5% dos emplacamentos, com 468 ônibus, sendo que somente o estado de São Paulo respondeu por 99% das aquisições, totalizando 464 unidades.
As cidades com destaque no primeiro semestre de 2026 são:
– São Paulo (SP): 429 ônibus (72,8% do total nacional)
– Brasília (DF): 90 ônibus (15,3%)
– São Bernardo do Campo (SP): 19 ônibus (3,2%)
– Aracaju (SE): 15 ônibus (2,6%)
– Goiânia (GO): 15 ônibus (2,6%)
– Osasco (SP): 12 ônibus (2%)
– Demais cidades com menor representatividade.
O setor industrial brasileiro demonstrou um portfólio variado com 19 modelos disponíveis de 9 fabricantes no primeiro semestre de 2026. Dos ônibus emplacados, 80% foram produzidos no Brasil, evidenciando a capacidade do país em desenvolver e montar modelos efetivos, enquanto apenas 20% foram importados.
Em termos de montadoras, as principais do mercado foram:
– Eletra: 38% de participação (224 veículos)
– Mercedes-Benz: 19,2% (113 veículos)
– BYD: 18,5% (109 veículos)
Esses dados indicam que o transporte coletivo elétrico no Brasil está progredindo de uma fase experimental para um ciclo de compras em larga escala, destacando um desafio para o futuro: expandir esse avanço para municípios de médio porte fora da região Sudeste. Essa descentralização é crucial para a promoção de um transporte urbano mais sustentável e acessível em todo o território nacional.
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