Desenvolvimento

Pedestres e ciclistas cobram melhorias em pontes e viadutos

Campanha pretende produzir vídeos, fotos e textos que revelem as dificuldades enfrentadas por pedestres e ciclistas nessas estruturas.

Para marcar o Dia sem Carro e a Semana da Mobilidade, organizações de cicloativistas e pedestres de São Paulo iniciam hoje a campanha “Adote uma Ponte”. O objetivo é sensibilizar as autoridades e a opinião pública sobre os riscos que milhares de pessoas correm todos os dias ao cruzar a pé, de bike ou cadeiras de rodas as pontes da capital paulista.   

Construídas originalmente para ligar ao centro de São Paulo as áreas que ficavam "do lado de lá" de rios e ferrovias, as pontes paulistanas se transformaram em perigosos obstáculos para a passagem de pessoas e veículos sem motor, como as bicicletas, carrinhos de transporte de carga e cadeiras de rodas. 

A ideia, uma iniciativa da Ciclocidade – Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo, é que as pessoas adotem voluntariamente uma ponte ou viaduto e enviem informações e imagens sobre as condições de circulação de pessoas não motorizadas nesses locais.

A campanha pretende produzir vídeos, fotos e textos que revelem as dificuldades enfrentadas por pedestres e ciclistas nessas estruturas e apontem sugestões para melhorar a segurança e o conforto nessas travessias.

Ao final, a documentação será entregue às autoridades com o objetivo de que sejam desenvolvidas ações para a superação dos problemas encontrados.

Pontes se tornam muros

Quem caminha – ou pedala – pela cidade conhece a dificuldade de atravessar as alças de acesso, nas extremidades das pontes. "Essas estruturas foram construídas a partir dos anos 1960 com o objetivo de aumentar a velocidade de chegada (e saída) dos veículos nas pontes. Era a lógica das rodovias de alta velocidade trazidas para dentro das cidades", explica Carlos Henrique Lopes, diretor da Ciclocidade.

Assim, os veículos motorizados circulam em alta velocidade e, como não existem faixas de pedestres, semáforos ou qualquer sinalização de advertência, as pessoas são obrigadas a aguardar uma brecha no trânsito e correr para chegar ao outro lado a salvo. A travessia se torna mais fácil nos horários de pico, quando os congestionamentos paralisam o trânsito nas pontes, mas o risco de atropelamentos continua existindo mesmo nessas condições.

A campanha "Adote uma ponte" pretende estimular a melhoria urbana integral das pontes, incluindo a manutenção de calçadas, iluminação pública e paisagismo, além da sinalização, de forma a estimular as pessoas a utilizarem mais essas travessias. "Parte da população tem medo de andar pelas pontes por conta do risco de atropelamentos, quedas e até assaltos, porque essas passagens em geral são mal iluminadas", explica Lopes.

Para aderir é simples: basta acessar o site da campanha, navegar no mapa e escolher uma ponte ou viaduto, fazendo o seu registro. Ao se tornar colaborador, o voluntário poderá enviar informações sobre as dificuldades que enfrenta em relação a estrutura “adotada”.

As pessoas que aderirem à campanha também poderão utilizar as ferramentas de mobilização da campanha, como panfletos, stêncil para produzir sinalização alternativa, lambe-lambes com mensagens da campanha e, ainda, postagens para compartilhar nas redes sociais.