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O Fim do Conteúdo Evergreen: O Poder dos Criadores na Era da IA

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O Fim do Conteúdo Evergreen: O Poder dos Criadores na Era da IA

O cenário atual do publishing e da busca evidencia uma mudança significativa: cada vez mais, o trabalho mais relevante vem de indivíduos, não de grandes publicadoras. Este fenômeno sinaliza uma transformação no papel tradicional das marcas e dos jornalistas, levantando questões sobre o futuro do conteúdo e a relevância de plataformas como a Substack.

A migração de profissionais para plataformas independentes já está em andamento. Com cortes frequentes nas redações e a crescente insatisfação com modelos tradicionais, muitos jornalistas escolheram criar seu próprio espaço. Exemplos como a saída de Paul Krugman do The New York Times para publicar no Substack mostram que esse movimento está sendo liderado por nomes de peso no setor. A liberdade de produzir conteúdo sem limitações editoriais atrai cada vez mais criadores.

Nesse novo ambiente, a estratégia de conteúdo “evergreen” está perdendo força. O modelo que antes se baseava em criar textos otimizados por palavras-chave está se tornando obsoleto, especialmente com a ascensão da inteligência artificial que pode gerar resumos e substitutos genéricos para conteúdos completos. De acordo com um estudo do Reuters Institute, os editores estão diminuindo a priorização de conteúdo perene, optando por investigações originais, uma mudança de 32 pontos percentuais.

Harry Clarkson-Bennett e outros especialistas afirmam que o conteúdo deve ser centrado na originalidade e na expertise real, ao invés de apenas atender a critérios de SEO. A ênfase agora deve estar na produção de conteúdo único e autêntico que possa realmente agregar valor ao público. A noção de distribuição também evoluiu: hoje, é essencial construir uma base de seguidores que busquem explicitamente seu conteúdo e expertises, uma abordagem que se fundamenta em um relacionamento mais próximo com a audiência.

O destino de marcas como a Condé Nast ilustra a adaptação às novas realidades; a empresa está se preparando para um cenário onde o tráfego de busca pode diminuir, mantendo seu foco em um conteúdo que faça sentido para seu público-alvo independentemente da dinâmica de busca.

A medição de visibilidade, tradicionalmente centrada em palavras-chave, também deve evoluir. A forma como os usuários interagem e buscam soluções está mudando, e é preciso coletar dados que reflitam a linguagem e as necessidades reais do público. Iniciativas como as de Aleyda Solis, que buscam entender o comportamento do consumidor em um nível mais profundo, são essenciais para essa transição.

Assim, a pergunta que surge é: indivíduos agora detêm todo o poder? Embora as marcas continuem a ter recursos e alcance, é evidente que a balança está se inclinando em direção a um modelo onde a confiança está atrelada a pessoas e suas expertise. As marcas que souberem integrar essa nova dinâmica, respeitando a parceria com especialistas, conseguirão se destacar. Em um cenário onde o conteúdo verdadeiro e autoral se torna cada vez mais valioso, as marcas que apostarem em histórias autênticas e em especialistas reconhecidos podem não apenas sobreviver, mas prosperar.

A construção de uma estratégia de conteúdo deve, portanto, se pautar na expertise reconhecida e na verdadeira conexão com o público, evitando depender de práticas ultrapassadas e adaptando-se às novas exigências do mercado.

Crédito da imagem: divulgação/reprodução

Priscila Campos

Equipe Editorial

Priscila Campos acompanha temas ligados a marketing, consumo, negócios digitais e tendências de mercado. No Mercado ETC, escreve sobre assuntos que impactam marcas, empresas e consumidores.

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