O 23º Fórum SAE BRASIL da Mobilidade, realizado em Curitiba, abordou questões essenciais que afetam o setor automotivo brasileiro. O evento, que contou com a presença de mais de 500 participantes, destacou a concorrência crescente, especialmente com importações e montadoras chinesas, além de apresentar o etanol como um diferencial competitivo do Brasil em termos de sustentabilidade.
Neste momento de desafios, as montadoras enfrentam altos estoques, com cerca de 273 mil veículos parados, e a expectativa é que esse número chegue a 500 mil carros importados ainda este ano. Para colocar em perspectiva, o Brasil começou a década de 2010 com 25 marcas de veículos, e a tendência é que esse número chegue a 55 até 2026. Esse aumento na competição pressionou os preços para baixo e os estoques para cima.
Ciro Possobom, presidente da Volkswagen do Brasil, e Fernando Honorato, economista-chefe do Bradesco, compartilharam a necessidade de potenciar a indústria nacional, reduzindo a dependência de importações. Isso é crucial, visto que o setor automotivo representa 20% da indústria brasileira, movimentando cerca de R$ 100 bilhões em peças e gerando milhares de empregos.
Um dos principais pontos discutidos foi a superioridade do etanol brasileiro. O etanol produzido no país é considerado mais limpo que os veículos elétricos europeus, pois a Europa depende de carvão e gás para geração de eletricidade. O potencial de carros flex com motores híbridos foi uma das principais apostas para o futuro, aproveitando a combinação da eletricidade com o etanol.
A agilidade das montadoras chinesas também foi um tema recorrente. Enquanto empresas tradicionais demoram cerca de cinco anos para lançar novos modelos, as montadoras chinesas conseguem esse feito em apenas dois anos. Para se manterem competitivas, as fabricantes brasileiras estão adotando tecnologias digitais em seus processos de engenharia.
Os consumidores estão em busca de veículos conectados, que vão além do tradicional motor potente. O novo perfil do motorista exige carros com internet e atualizações de software constantemente. O Volkswagen Nivus, por exemplo, foi desenvolvido inteiramente no computador, sem a necessidade de protótipos físicos, exemplificando essa evolução na produção automotiva.
O apoio de grandes empresas como Volvo, Bosch e Renault Geely do Brasil foi fundamental para a realização do fórum, que debateu como a indústria pode se adaptar às novas demandas e desafios do setor. Essa união evidencia a importância da troca de conhecimento e inovação no segmento.
Em suma, o Brasil possui vantagens significativas, especialmente no que tange ao etanol, que não apenas contribui para a sustentabilidade, mas also coloca o país em um patamar de destaque no cenário global da mobilidade. O desafio agora é continuar investindo em engenharia e tecnologia para enfrentar a concorrência extenuante e atender às demandas de um consumidor em constante evolução.
Crédito da imagem: divulgação/reprodução

