Recentemente, o novo cálculo do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para automóveis trouxe mudanças significativas que afetam diretamente a potência dos motores, especialmente os 1.0 turbo. Para motoristas e consumidores interessados em aquisição de veículos, essa mudança representa uma nova dinâmica de mercado, com implicações diretas na escolha de modelos e na tributação, influenciando a decisão de compra e as características dos veículos disponíveis.
A nova metodologia de cálculo do IPI altera a legislação vigente, substituindo a análise do deslocamento do motor (litros) pela potência do mesmo. Isso significa que o histórico desconto para motores 1.0, que os fabricantes frequentemente utilizavam para oferecer preços mais competitivos, não existe mais. Com a nova regra, foram estabelecidas quatro faixas de tributação com base na potência dos motores:
- Até 115,6 cv: 0 p.p. (pontos percentuais)
- Até 142,8 cv: +0,75 p.p.
- Até 179,5 cv: +1,5 p.p.
- Até 224,4 cv: +3,0 p.p.
Por conta disso, diversas montadoras, visando manter a faixa isentada ou com a menor alíquota possível, iniciaram um processo de redução da potência de seus motores 1.0 turbo. Um exemplo claro disso é a Chevrolet, que diminuiu a potência de seu motor 1.0 turbo de 121 cv para 115 cv para evitar um aumento na tributação. O Hyundai i20 seguiu a mesma linha de ação, reduzindo sua potência similar de 120 cv para 115 cv.
A Stellantis, por sua vez, ajustou seu motor 1.0 turbo, que tinha 130 cv, para 116 cv. Outras montadoras, como a Caoa Chery e Volkswagen, também realizaram ajustes em motores de maior cilindrada, priorizando adaptações para se manter dentro das novas faixas tributárias. Com isso, motores como o 1.5 turbo da Caoa Chery agora entrega 143 cv, enquanto o 1.6 do Hyundai Creta sofreu uma redução de 193 cv para 176 cv ao ser produzido localmente como flex.
Outro ponto interessante é que os motoristas que buscam carros flex com potência acima de 115,6 cv podem obter descontos tributários ao adotar sistemas híbridos. Por exemplo, um híbrido plug-in garante uma redução de 2%, enquanto os híbridos leves, como os que estão sendo introduzidos pela Stellantis e Chevrolet, apresentam uma redução de 1%.
Essa nova configuração tributária tende a popularizar os híbridos leves nos próximos anos. Carros como o Jeep Avenger já estão sendo lançados com motorizações eletrificadas, e a Renault está desenvolvendo sistemas mais avançados para suas novas linhas.
A mudança no cálculo do IPI é um passo que deve impactar o cenário automotivo brasileiro, com um possível aumento da oferta de veículos com potência de 115 cv e a expansão dos modelos híbridos no mercado até 2030. Essa evolução reflete uma busca maior dos fabricantes por soluções que unam eficiência energética e competitividade no mercado. Motoristas e consumidores devem se preparar para essa nova realidade, que pode significar uma nova era de veículos mais econômicos e com tecnologia avançada.
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