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Medidas melhoram segurança no uso de água residual na agricultura familiar

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Medidas melhoram segurança no uso de água residual na agricultura familiar

O uso de água residual na agricultura familiar é uma prática crescente no Brasil, permitindo a transformação de efluentes em biofertilizantes por meio de fossas sépticas biodigestoras (FSBs). Essas estruturas, compostas por três caixas d’água, já são populares entre pequenos produtores rurais, mas implicam riscos sanitários que exigem atenção.

As FSBs são implementadas para reaproveitar a água proveniente dos sanitários, que passa por um processo de digestão anaeróbica antes de ser utilizada na irrigação. Contudo, a aplicação do efluente exige cuidados rigorosos, uma vez que a manipulação inadequada pode expor trabalhadores e famílias ao risco de contaminação por patógenos. O contato com a água não tratada, frequentemente transportada de maneira rudimentar, pode facilitar a transmissão de doenças, especialmente quando se utiliza baldes ou mangueiras sem proteção adequada.

Especialistas, como Adriano Luiz Tonetti, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), destacam a necessidade de um manejo seguro do efluente. “A ideia de que o efluente pode ser utilizado sem precauções é problemática”, alerta. Ele relata situações observadas em propriedades rurais, onde animais e crianças podem ser expostos ao líquido contaminado. O alerta é pertinente, pois a globalização do uso de tecnologias acessíveis precisa vir acompanhada de medidas de segurança.

Para minimizar os riscos, a engenheira ambiental Caroline Kimie Miyazaki conduziu um estudo que avalia quantitativamente os perigos microbiológicos associados ao sistema. Uma de suas propostas é modificar a distribuição do efluente, substituindo a saída por uma torneira convencional por um sistema de tubos enterrados, o que garantiria maior segurança ao evitar o contato direto com o líquido.

Além disso, Miyazaki e sua equipe questionam a necessidade de adicionar fezes bovinas ao sistema, sugerindo que essa prática, realizada mensalmente, não impacta na eficácia do biofertilizante e aumenta os riscos de contaminação. Os pesquisadores estão trabalhando também na redução do tamanho das caixas do sistema, visando diminuir o tempo que o efluente permanece armazenado, conduzindo assim a um manuseio mais seguro.

Um programa municipal em Campinas exemplifica a implementação das FSBs, com 136 unidades introduzidas para famílias rurais. Em paralelo, a Unicamp realiza um monitoramento rigoroso da presença de Escherichia coli, uma amostra do potencial de contaminação, avaliando os riscos para diferentes grupos da comunidade.

Neste contexto, foram identificadas seis situações de exposição ao uso dos sistemas, incluindo ingestão acidental do efluente e contato indireto por objetos. Simulações realizadas pelo grupo de pesquisa indicam que os cenários envolvendo o uso de fezes frescas e irrigação superficial estão associados a altos índices de contaminação. Resultados alarmantes mostram que uma significativa porcentagem das simulações superou os limites de risco recomendados, reforçando a urgência de medidas mais rigorosas de segurança.

Os cientistas não apenas se preocupam com a saúde dos agricultores, mas também com a qualidade da alimentação produzida. Estudos indicam que patógenos em tamanho superior aos poros das raízes das plantas são pouco prováveis de serem absorvidos, mas a aplicação é fortemente desaconselhada por métodos diretos.

Em resumo, a implementação de práticas seguras no uso de água residual na agricultura familiar é crucial não apenas para a saúde dos trabalhadores e suas famílias, mas também para a segurança dos alimentos produzidos. As propostas de melhorias nos sistemas de irrigação servem como um avanço necessário para garantir que a reutilização de água não comprometa a saúde pública e a integridade dos produtos alimentares. O reconhecimento dos riscos e a aplicação de ações preventivas são fundamentais para que essa prática sustentável se mantenha saudável e eficaz no futuro.

Crédito da imagem: divulgação/reprodução

Bruno Tavares

Fundador da Pixel Project

Sou fundador da Pixel Project e atuo há mais de 15 anos com desenvolvimento web, WordPress, SEO e projetos digitais. No Mercado ETC, acompanho temas ligados a tecnologia, negócios, marketing, autos e tendências do mercado.

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