O conceito de Agentic Commerce tem ganhado destaque, especialmente no contexto do e-commerce brasileiro, como demonstrado no Fórum E-Commerce Brasil 2026. A abordagem, que combina tecnologia e experiência do consumidor, promete transformar radicalmente as estratégias de monetização por meio de anúncios. As empresas que adotarem essa tendência poderão não apenas otimizar suas campanhas, mas também se adaptar a um novo cenário em que a publicidade precisa ser mais relevante e menos intrusiva.
Durante o evento, Caio (Kyle) Gomes, Chief Data & AI Officer do Magazine Luiza, apresentou resultados significativos obtidos com essa nova estratégia. Através do commerce agêntico, a varejista atingiu R$ 100 milhões transacionados, evidenciando a eficácia da sua ferramenta, que também se beneficia do uso do WhatsApp. Gomes destacou que a taxa de conversão desse canal é três vezes superior à dos métodos tradicionais, indicando a necessidade de adaptação dos varejistas às novas dinâmicas do mercado.
A visão de Gomes sobre o modelo tradicional de publicidade trouxe à tona uma reflexão importante: o antigo paradigma de compra de tráfego e otimização da Return On Ad Spend (ROAS) pode estar ultrapassado. Ele questionou se esse modelo tem prazo de validade e argumentou que um novo modelo, mais centrado na conversação e na inteligência artificial, pode ser o futuro. Nesse contexto, adotar uma abordagem centrada no cliente, que prioriza dados racionais e variáveis operacionais, torna-se essencial.
A migração da tela para a conversa implica que os anúncios não precisam mais ser estéticos, mas sim práticos e funcionais. Em vez de se concentrar em slogans e apelos visuais, é crucial oferecer ao consumidor informações objetivas como preço, prazo de entrega e garantias. Gomes enfatizou que, enquanto a experiência de compra pode ser facilitada por agentes, certas decisões ainda devem permanecer nas mãos dos consumidores, especialmente em categorias que envolvem mais emoção ou complexidade, como viagens ou eletrodomésticos.
O grande desafio é integrar os anúncios de forma a não desestabilizar a interação conversacional. Para que isso ocorra, é necessário que as empresas adotem práticas que garantam a relevância do que é oferecido. Gomes sugeriu estratégias como:
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Substituição de ações por “verbos”: Em vez de modelar rotas fixas, a inteligência artificial deve ser capaz de buscar, comparar e decidir a melhor oferta em tempo real.
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Compreensão contextual profunda: Os anúncios precisam ser formulados de forma a atender necessidades específicas, utilizando linguagem natural que facilite a conversão.
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Relevância real sobre o patrocínio: Se um produto for indicado apenas porque a marca pagou, sem ser a melhor opção, o canal perde credibilidade rapidamente.
Nesse quadro, o Brasil se destaca pela sua infraestrutura única. Gomes afirma que a maturidade do comércio conversacional no país é alimentada pela popularidade do WhatsApp e pela eficiência do Pix, que agiliza transações. Essa realidade aponta para um potencial de liderança no uso de tecnologia de ponta, ao invés de ser apenas um seguidor de tendências globais.
As empresas que desejam acompanhar essas transformações precisam estar atentas e dispostas a experimentar novas estratégias e ferramentas, investindo em soluções que as façam se destacar em um mercado cada vez mais competitivo. Adaptar-se ao Agentic Commerce não é apenas um diferencial, mas uma necessidade para garantir relevância e eficácia na comunicação com o consumidor moderno.
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