A Apple nunca anunciou oficialmente um iPhone dobrável. Não há data confirmada, não há especificações divulgadas e nem sequer uma imagem oficial do produto. Mesmo assim, analistas de mercado já projetam que, assim que o aparelho chegar às lojas, a empresa de Cupertino pode se tornar a marca líder em celulares dobráveis na América do Norte — desbancando a Samsung, que hoje domina o segmento na região.
A projeção vem da Counterpoint Research, consultoria especializada em tecnologia, e levanta uma questão provocadora: o que diz sobre o poder de uma marca quando ela consegue abalar um mercado antes mesmo de lançar um produto?
O que a Counterpoint Research projeta
Em relatório publicado recentemente, a Counterpoint Research estima que a Apple pode capturar 46% do mercado de dobráveis na América do Norte no ano de estreia do seu primeiro dispositivo dobrável.
Para entender o impacto dessa projeção, é preciso olhar para o cenário atual. Em 2025, a Samsung detinha 51% do mercado norte-americano de dobráveis, seguida pela Motorola com 44% e pelo Google com 5%. Com a entrada da Apple, segundo a consultoria, a Samsung veria sua fatia cair para 29%, a Motorola recuaria para 23% e o Google ficaria com apenas 3%.
Apesar da redistribuição de fatias, a Counterpoint projeta que o mercado de dobráveis na América do Norte deve crescer 48% em relação ao ano anterior — o que significa que o bolo maior compensaria, ao menos em parte, as perdas individuais de cada fabricante.
Quem sente mais pressão: Samsung ou Google?
À primeira vista, a Samsung parece ser a grande perdedora da chegada da Apple. Mas a análise da Counterpoint Research aponta que o Google pode ser ainda mais afetado, proporcionalmente.
A Samsung tem um trunfo importante: o calendário. A empresa sul-coreana deve apresentar a linha Galaxy Z 8 até meados de setembro, pouco antes do lançamento esperado do iPhone dobrável. Isso dá à Samsung uma janela de vendas exclusiva e a chance de consolidar sua base de clientes antes da concorrência chegar.
O Google, por outro lado, pode lançar seu próximo dobrável exatamente no mesmo período em que a Apple estreia no segmento — o que tornaria a disputa por atenção e consumidores muito mais difícil. Além disso, enquanto a Samsung oferece múltiplos formatos de dobráveis (e pode expandir ainda mais com um novo modelo no formato wide, segundo rumores), o Google conta com apenas uma linha de produto nessa categoria, o que limita sua capacidade de competir em diferentes faixas de preço e preferências.
Mas o iPhone dobrável de fato chegará em 2026?
Aqui mora a grande incerteza de toda essa projeção. A Apple não confirmou nenhum produto dobrável, e ao menos um relatório recente indica que a empresa pode adiar o lançamento para 2027 por causa de dificuldades de engenharia. Ou seja: toda a movimentação de mercado descrita pela Counterpoint Research está condicionada a um produto que, até o momento, existe apenas no campo dos rumores.
Isso não invalida o exercício analítico — projeções baseadas em cenários hipotéticos são ferramentas legítimas do mercado financeiro e de tecnologia. Mas é fundamental que o leitor compreenda que estamos diante de uma estimativa condicional, não de uma previsão com base em fatos confirmados.
O que isso revela sobre o mercado de dobráveis
Independentemente do que a Apple decidir fazer, o debate em torno do iPhone dobrável já cumpre um papel relevante: ele mostra que o mercado de dobráveis na América do Norte ainda tem muito espaço para crescer e que a entrada de um novo grande player — real ou especulativo — é suficiente para reorganizar expectativas e estratégias de toda a indústria.
Para a Samsung, o recado é claro: a janela de liderança no segmento premium de dobráveis pode ser mais curta do que o esperado. A corrida para lançar o Galaxy Z 8 antes do verão norte-americano terminar não é apenas uma questão de calendário — é uma questão de sobrevivência de fatia de mercado.
Fonte: SamMobile
Créditos TecStudio

