Uma nova ferramenta de inteligência artificial promete revolucionar a produção agrícola no Brasil, unindo avanços tecnológicos à sabedoria histórica dos movimentos populares. A IARAA, desenvolvida pela Associação Internacional para Cooperação Popular, em conjunto com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a Marcha Mundial das Mulheres, surge como um recurso fundamental para fortalecer a agroecologia e reduzir a dependência de grandes corporações de tecnologia.
Segundo Luiz Zarref, coordenador da Baobá para a América Latina, a proposta está fundamentada na ideia de que a inteligência artificial deve ser uma conquista coletiva, acessível a todos. A IARAA não foi criada para servir aos interesses de grandes empresas, mas para empoderar movimentos sociais que buscam alternativas ao agronegócio tradicional.
Com uma abordagem diferenciada, a IARAA atua como uma plataforma de chat interativo, respondendo a dúvidas sobre agroecologia. O seu grande diferencial é uma base de dados restrita, composta por livros e artigos válidos e coletivamente validados entre 1964 e 2026, ao contrário das IAs generalistas que dependem de informações livres da internet.
A plataforma oferece três modos de resposta adaptados ao público: Semeadura, focada em agricultores; Mutirão, destinada a assistência técnica e trabalho em grupo; e Quintal Produtivo, voltada para a pesquisa acadêmica. Esses modos são projetados para atender às diversas necessidades dos usuários, assegurando que as informações sejam relevantes e aplicáveis.
O acervo da IARAA inclui uma vasta gama de materiais produzidos por movimentos populares, universidades e ONGs, e pretende integrar dados de instituições públicas, como a Embrapa, para enriquecer ainda mais sua base de conhecimento.
A IARAA não se limita a fornecer respostas genéricas. Através de engenharia de prompts, a ferramenta é treinada para se comunicar de forma precisa com públicos específicos, como famílias assentadas e técnicos agrícolas. Na prática, isso significa que pode auxiliar em temas variados, desde o combate a pragas até questões de consciência de classe e o papel da agroecologia na sociedade.
O investimento do MST na IARAA se insere em uma estratégia mais ampla de Reforma Agrária Popular, que coloca a agroecologia como central na produção de alimentos saudáveis. O principal desafio, como destaca Zarref, é lograr uma massificação das práticas agroecológicas, expandindo o alcance da tecnologia por todo o Brasil.
Com o objetivo de enfrentar barreiras tecnológicas, a IARAA sistematiza um grande volume de informações acumuladas ao longo dos anos, principalmente pelo MST. Ela atua como uma ferramenta de suporte à assistência técnica, sem a intenção de substituí-la. O desafio agora é colocar em prática essas soluções em escala, para que possam beneficiar realmente as cadeias produtivas de diferentes biomas brasileiros.
Atualmente, a IARAA está em fase de testes, e o acesso inicial deve ser gratuito. Espera-se que a plataforma comece de forma restrita, visando cooperativas e associações, em função de limitações de infraestrutura tecnológica. A meta é consolidá-la como um elemento essencial para a modernização e expansão da agroecologia no país.
Com isso, a IARAA se posiciona como uma inovação chave para o futuro da agricultura no Brasil, oferecendo um modelo que une tecnologia e saberes tradicionais em benefício da produção sustentável.
Crédito da imagem: divulgação/reprodução

