As eleições deste ano no Brasil estão se preparando para uma revolução no uso de ferramentas de inteligência artificial (IA), que não apenas irão auxiliar candidatos em suas campanhas, mas também poderão ser utilizadas para prejudicar adversários, em algumas situações de forma ilegal. Essa nova realidade traz desafios e oportunidades significativas para empresas, agências de marketing e profissionais que atuam no setor.
Profissionais de marketing digital têm explorado uma variedade de plataformas que prometem otimizar ações de campanha, desde o envio em massa de mensagens por Grupos de WhatsApp até a criação em larga escala de conteúdo gerado por IA para redes sociais. As técnicas discutidas incluem a compra de seguidores e a manipulação de números de celular para aparentarem ser de eleitores legítimos.
Dentre as táticas analisadas, destacam-se as seguintes:
– Envio em massa de mensagens no WhatsApp, com o “aquecimento” de números de celular para evitar banimentos.
– Aquisição de seguidores e comentários em redes sociais.
– Geração automatizada de conteúdo em diferentes formatos (texto, imagem, vídeo).
– Monitoramento de violações eleitorais e denúncias automatizadas a tribunais eleitorais.
– Raspagem de dados de redes sociais sem respeitar as regras das plataformas.
Um dos marqueteiros entrevistados mencionou o uso de “neurobots”, perfis digitais criados para engajar nas redes sociais e fazer parecer que candidatos possuem apoio popular, mesmo que essa interação seja artificial. Essa prática levanta questões éticas e legais, uma vez que uma resolução do Tribunal Superior Eleitoral proíbe o uso de avatares e chatbots para simular diálogos eleitorais.
As implicações dessas estratégias são complexas. A compra de seguidores, por exemplo, embora atraente por prometer uma base de apoio instantânea, acaba se revelando uma estratégia arriscada. Profissionais apontam que engajamentos artificiais podem prejudicar a conta se detectados, além de comprometer a credibilidade da campanha.
As técnicas de “disparo” de mensagens também ressurgem, complementadas por IA generativa. Os operadores explicam que a “esquentamento” de números é uma prática comum: criar um perfil ativo antes de usá-lo para disparos de mensagens, evitando sanções das plataformas. Isso demonstra uma adaptação das estratégias eleitorais diante das novidades tecnológicas e da necessidade de contornar a fiscalização.
Os desafios dessa nova era incluem a identificação de deepfakes e a criação de conteúdo falso, que podem impactar não só a percepção do público, mas também a segurança das campanhas. Ferramentas de monitoramento automatizadas estão sendo desenvolvidas para detectar e denunciar irregularidades, colocando os candidatos em um jogo em que a vigilância constante se torna fundamental.
A utilização de IA promete transformar não apenas a velocidade e a eficácia das campanhas, mas também suas práticas éticas e legais. Profissionais ressaltam que candidatos devem manter sua presença digital autêntica, priorizando a comunicação direta e verdadeira com os eleitores. A interação pessoal continua sendo a forma mais eficaz de se conectar, especialmente em plataformas de vídeo.
Por fim, à medida que a tecnologia avança, campanhas eleitorais precisam se adaptar e se preparar para os desafios que surgem, como ataques digitais e manipulação de informações. Há uma crescente necessidade de transparência e responsabilidade no uso dessas novas ferramentas, garantindo que o marketing político não apenas alcance seus objetivos, mas também respeite as normas éticas e eleitorais estabelecidas.
Crédito da imagem: divulgação/reprodução

