A recente missão técnica do Inmetro à montadora chinesa GAC sinaliza um avanço significativo nas discussões sobre baterias, recarga e eficiência energética no Brasil. Este diálogo é crucial, pois envolve motoristas, consumidores e empresas, estabelecendo bases sólidas para o crescimento da mobilidade elétrica no país. Enquanto a GAC se prepara para expandir sua atuação no mercado nacional, as regulamentações adequadas tornam-se essenciais para garantir segurança e sustentabilidade no uso de veículos elétricos.
Durante a visita, realizada em junho de 2026 na sede da GAC em Guangzhou, profissionais do Inmetro exploraram diversos aspectos como regulamentação de baterias, infraestrutura de recarga e reciclagem. O momento é estratégico, já que a GAC implantará uma unidade industrial em Catalão, Goiás, dentro de um plano que prevê investimentos de R$ 5,2 bilhões voltados a veículos híbridos e elétricos.
Esse investimento vai além da mera venda de veículos. A colaboração entre o Inmetro e a GAC busca estabelecer normas técnicas que facilitem tanto a produção local quanto as operações de reciclagem de baterias, um ponto chave para a redução de custos e impactos ambientais. Com uma bateria representando parte significativa do custo e desempenho de um veículo elétrico, regras claras são fundamentais para a proteção de consumidores e a criação de um ambiente de negócios mais previsível para fabricantes e prestadores de serviços.
A infraestrutura de recarga é outro aspecto crítico abordado. A expansão dos veículos elétricos depende de um sistema robusto, com equipamentos confiáveis e padrões de segurança adequados. A missão técnica permitiu a troca de experiências sobre metodologias de ensaio e regulamentações, possibilitando que o Brasil adapte soluções considerando suas próprias características de uso e clima.
Outro ponto de destaque é a procura por fornecedores locais. Com a instalação da GAC em Catalão, a demanda por insumos como autopeças e componentes eletrônicos deve crescer, o que pode estimular novas oportunidades de negócios no setor. Este movimento traz não apenas benefícios econômicos, mas também reforça a competitividade entre montadoras, tornando o ambiente mais dinâmico.
A estrutura regulatória é indispensável para que futuras tecnologias de propulsão sejam produzidas no Brasil. O conhecimento prévio das exigências permitirá que a GAC e outros fornecedores planejem suas operações com mais segurança. A padronização das regras também facilitará que os consumidores comparem diferentes modelos e confiem na segurança e no desempenho dos veículos.
Além disso, a questão da reciclagem de baterias emergiu como um aspecto relevante, já que a crescente frota de veículos elétricos exigirá sistemas eficientes para coleta e reaproveitamento de materiais. O desenvolvimento de uma cadeia de reciclagem pode abrir portas para inovações em engenharia, química e logística, fortalecendo a indústria local e reduzindo a dependência de tecnologias importadas.
Para o Brasil, o aprendizado com a experiência chinesa deve ser traduzido em normas adaptadas à realidade nacional, sem desestimular a inovação. A crescente interação entre o setor industrial e as regulamentações pode tornar o país um hub de mobilidade elétrica na América Latina.
Os próximos passos incluem acompanhar a evolução do projeto industrial da GAC, definir quais modelos serão produzidos localmente e o progresso dos estudos regulatórios realizados pelo Inmetro. A missão técnica é apenas o início de um processo que poderá transformar a atuação das montadoras no Brasil, integrando-as ao ecossistema de mobilidade elétrica enquanto abre espaço para empresas brasileiras na cadeia de fornecimento.
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