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Gurgel Carajás: um SUV de 1984 com engenharia questionável e desempenho limitado

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Gurgel Carajás: um SUV de 1984 com engenharia questionável e desempenho limitado

O Gurgel Carajás, lançado em 1984, foi projetado para atender a motoristas que necessitavam de um veículo robusto para encarar estradas de terra e áreas rurais. Com a proposta de ser uma opção mais adequada do que modelos como Monza e Santana, o Carajás buscava oferecer resistência e confiabilidade. No entanto, muitos dos problemas estruturais e mecânicos do modelo comprometeram essa proposta.

A carroceria em fibra de vidro do Carajás trazia uma estrutura de aço em pontos estratégicos, destinada a funcionar como um chassi reforçado. Contudo, essa solução falhou na prática. A base metálica apresentou simplicidade e torção excessiva, resultando em uma carroceria que não suportava bem os terrenos irregulares. Para um veículo que se pretendia robusto, essas características mostraram-se rudimentares.

Além da estrutura, as escolhas mecânicas também foram controversas. O Carajás utilizava motores da família Volkswagen AP, com versões 1.8 para os modelos de entrada e 2.0 para os mais sofisticados, todos equipados com carburador, típico da década de 1980. A opção pela tração traseira, mesmo com motores projetados para a tração dianteira, levou os engenheiros da Gurgel a criar um sistema pouco funcional. Eles adaptaram um câmbio da Kombi na parte traseira, ligando-o ao motor com um longo eixo de transmissão.

Esse eixo, chamado de “Torque Tube”, girava quase na mesma rotação do motor e, devido à falta de rigidez na estrutura do veículo, apresentava constantes desalinhamentos. Isso gerava vibrações e desgaste prematuro de componentes, como buchas e rolamentos. A condução recomendada para mitigar esses problemas consistia em trocas de marcha lentas, mas a maioria dos motoristas usava o Carajás como qualquer outro carro, resultando em um desgaste acelerado.

O Gurgel Carajás não tinha um preço acessível. Produzido entre 1984 e 1991, seu valor variava de US$ 15 mil a US$ 20 mil, e cerca de 3 mil unidades foram vendidas ao longo de sua produção. A partir de 1988, uma versão diesel equipada com o motor 1.6 da Kombi foi lançada, mas a baixa potência de 50 cv não era suficiente para mover os 1.300 kg do veículo, dificultando ainda mais seu desempenho.

Ao longo dos anos, o Carajás acumularia críticas em relação a suas escolhas técnicas. A transição do mercado automotivo brasileiro em direção a importações a partir de 1991 deixou o Carajás em uma posição ainda mais vulnerável, com consumidores agora acessando modelos mais modernos e confiáveis.

Apesar de não ter alcançado sucesso de vendas, o Gurgel Carajás se destaca como um exemplo intrigante na história da indústria automobilística no Brasil, demonstrando que boas intenções nem sempre se traduzem em produtos eficazes.

Crédito da imagem: divulgação/reprodução

Bruno Tavares

Fundador da Pixel Project

Sou fundador da Pixel Project e atuo há mais de 15 anos com desenvolvimento web, WordPress, SEO e projetos digitais. No Mercado ETC, acompanho temas ligados a tecnologia, negócios, marketing, autos e tendências do mercado.

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