A adoção crescente de veículos elétricos, híbridos e movidos a hidrogênio na China já demonstra impactos significativos na saúde pública. Um estudo recente revelou que a redução da poluição do ar, resultado da transição para esses novos modelos, evitou cerca de 262 mil mortes prematuras no país. Com mais de 250 mil pessoas diretamente beneficiadas pela melhora na qualidade do ar, esse movimento destaca a importância da mobilidade sustentável no combate a doenças respiratórias e cardiovasculares.
De acordo com a pesquisa, que utilizou modelagem de dados de poluição atmosférica, a queda nas emissões dos escapamentos teve um impacto direto na diminuição de doenças graves, como câncer de pulmão e derrames. O estudo estimou que, além das 262 mil mortes evitadas, outras 75 mil vidas foram salvas em decorrência de condições relacionadas à poluição do ar. A situação global é alarmante, com cerca de 4 milhões de pessoas falecendo anualmente por enfermidades ligadas à poluição, sendo aproximadamente 1 milhão apenas na China.
Os principais poluentes associados aos veículos movidos a combustíveis fósseis incluem as partículas finas conhecidas como PM2,5, o monóxido de carbono e o dióxido de nitrogênio, todos considerados altamente nocivos à saúde. O levantamento, publicado na revista Nature Health, analisou dados de satélites coletados em 150 cidades chinesas e revelou que a presença crescente dos veículos de nova energia resultou em uma redução de 23,8% nas partículas PM2,5 e de 30% no monóxido de carbono, resultando em uma estimativa total de cerca de 320 mil mortes a menos relacionadas à poluição do ar.
Contudo, o estudo também apontou que houve uma redução insignificante nas emissões de óxido nitroso. Essa persistência se deve ao fato de que uma parte considerável do transporte de mercadorias na China ainda é realizada por caminhões a diesel. A complexidade da eletrificação desse segmento, devido às longas distâncias e à alta capacidade de carga, implica desafios que ainda precisam ser superados.
Dentro desse contexto, a China tem promovido uma campanha militarizada contra a poluição ao longo da última década. O fenômeno denominado “Azul de Pequim”, que se refere ao céu limpo e ao novo padrão de ar na capital, é um indicativo notável do progresso alcançado. O crescimento dos veículos elétricos mostra-se como uma estratégia eficaz não apenas na qualidade do ar, mas também na saúde da população.
Essas mudanças na frota veicular e a consequente melhora na saúde pública ressaltam a possibilidade de um futuro mais sustentável, onde a mobilidade elétrica pode ser uma solução viável para enfrentar desafios ambientais e de saúde. A efetividade dessa transformação na China serve como um case de referência para outras nações que buscam mitigar os impactos da poluição e priorizar a qualidade de vida urbana.
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