Desenvolvimento

Emissões de gases do efeito estufa sobem 7,8% no Brasil

Todos os setores tiveram crescimento de emissões em 2013 em relação a 2012.

Foi anunciado na última quarta-feira (19), pelo Observatório do Clima, os resultados do Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG). Segundo o estudo, elaborado pelo segundo ano consecutivo, as emissões brasileiras atingiram 1,57 bilhão de t CO2e (tonelada equivalente de CO2) em 2013, o que representa um aumento de 7,8% em relação ao ano de 2012, e o maior valor desde 2008. O aumento das emissões de 2013 representa uma reversão de tendência registrada desde 2005, quando vinham caindo ano a ano devido a sucessivas quedas nas taxas anuais de desmatamento. Em 2012, atingiram o seu menor valor, com 1,45 milhão de t CO2e.

Todos os setores apresentaram aumento de emissão em 2013, com destaque para as Mudanças de Uso da Terra (16,4%), sob impacto do aumento do desmatamento na Amazônia e Cerrado, e Energia (7,8%), influenciado pelo aumento do uso de energia termoelétrica de fontes fósseis e do consumo de gasolina e diesel para transporte. O setor de Mudança de Uso da Terra representa ainda, a exemplo dos dados referentes a 2012, a maior parcela das emissões (35%), enquanto que Energia aumentou sua participação para 30% das emissões, seguida de Agropecuária (27%), Processos Industriais (6%) e Resíduos (3%).

“É preciso trazer o desafio das mudanças climáticas como um tema estratégico para nosso desenvolvimento. Diante da emergência climática em que nos encontramos, isso é muito preocupante", avalia o secretário-executivo do Observatório do Clima, Carlos Rittl. A reversão de tendência com aumento das emissões agora verificado ocorre no momento em que o Brasil se prepara para a Conferência das Nações Unidas sobre clima (COP 20), a ser realizada em Lima (Peru), entre os dias 01 e 12 de dezembro, e impacta diretamente na percepção de como o Brasil pode contribuir para reduzir as emissões no âmbito do novo acordo climático a ser aprovado em 2015.


Foto: Leonardo Freitas/Flickr

Considerando-se as emissões alocadas por estados, os maiores emissores seriam o Pará (11,2%) e Mato Grosso (9,4%), seguidos de São Paulo (8,5%) e Minas Gerais (7,5%). Quando se desconsidera as emissões de Mudanças de Uso do Solo, a liderança passa para São Paulo (12,9%), depois Minas Gerais (9,8%) e Rio Grande do Sul (7,2%).

Na opinião de Carlos Rittl, coordenador geral do Observatório do Clima, “a redução das emissões provocadas pelo desmatamento verificada entre 2005 e 2012 criou uma espécie de zona de conforto, que de certa forma mascara o crescimento persistente e acelerado das emissões nos demais setores”. Para ele, “o Brasil cita uma matriz relativamente limpa, políticas de combate ao desmatamento e planos setoriais de redução de emissões em vários discursos, mas, na verdade, desde 2009 quando lançou metas de redução de emissões até 2020, o País não deu nenhum grande salto para colocar nossa economia em uma trajetória de desenvolvimento com emissões decrescentes de gases de efeito estufa”.

O aumento das emissões por queima de combustíveis fósseis tende a se intensificar como reflexo do maciço investimento em energias fósseis, redução e poucos investimentos em novos combustíveis renováveis e na própria participação de energias renováveis na matriz energética brasileira que caiu de 48% para 41% nos últimos 5 anos.

O estudo pode ser consultado na íntegra pelo endereço www.seeg.eco.br.