Cientistas na floresta tropical da Nicarágua identificaram um verdadeiro “ninho” de diversidade de espécies de abacate, revelando variedades geneticamente distintas das cultivadas comercialmente. Esta descoberta é de grande relevância, pois pode contribuir para a diversificação da cadeia de suprimentos e fortalecer a agricultura sustentável, além de garantir a saúde das variedades comerciais da fruta que se tornou um alimento popular.
A migração do abacate da América do Sul para a América Central, ocorrida há aproximadamente 5.000 anos, é uma peça chave para entender essa diversidade. Vestígios genéticos dessa migração foram encontrados no DNA das plantas estudadas, sinalizando que as variedades locais podem ser úteis para enriquecer o cultivo moderno e lidar com desafios como doenças que ameaçam plantações.
O especialista Kevin Wann, arqueobotânico envolvido na pesquisa, enfatiza que a ciência ainda não havia documentado a ampla diversidade existente nas espécies de abacate. Isso sugere um potencial significativo para conservar plantas comerciais vulneráveis, principalmente frente a doenças. A exploração da diversidade genética presente nas árvores de abacate pode ser fundamental para a continuidade da produção sustentável deste fruto, atualmente requisitado em várias partes do mundo.
As árvores de abacate têm uma área de distribuição natural que vai do México ao Peru. No entanto, para se adequar ao cultivo moderno, a maioria das plantações utiliza uma única variedade comercial: a Hass. Em 2024, cerca de 11 milhões de toneladas métricas de abacate foram cultivadas globalmente, mas esta uniformidade genética torna os cultivos de Hass vulneráveis a ameaças. Uma única doença ou mudança climática pode impactar drasticamente essas plantações, levando à extinção de uma variedade completa.
A pesquisa de Wann envolveu a análise do DNA de amostras coletadas em Honduras, Nicarágua e no sul do México. Através da conversa com agricultores locais, os cientistas conheceram métodos tradicionais de cultivo que aprimoram as chamadas “variedades crioulas”. Essas variedades locais têm se mostrado resistentes à podridão radicular, uma das doenças mais comuns nos abacates cultivados comercialmente.
Os cientistas analisaram 47 dessas variedades crioulas, descobrindo que 32 eram originárias da Nicarágua. A pesquisa revelou que os abacates dessa região apresentam ligação genética com aqueles encontrados na Colômbia, indicando uma origem comum na América do Sul. Esse conhecimento pode ser crucial para a preservação das variedades de abacate que se adaptam melhor a climas quentes e úmidos, pois sua grande diversidade genética pode aumentar a resistência a desafios climáticos e sanitários.
As descobertas foram publicadas na revista Plants People Planet, reforçando a importância dessas variedades locais para proteger os cultivos comerciais. Com a pesquisa em andamento e a continuação dos estudos nas florestas da Nicarágua, os resultados parecem promissores para garantir a resiliência dos abacates e a segurança alimentar futura.
Incorporar essa diversidade genética no cultivo pode ser um passo essencial não apenas para salvaguardar a fruta amplamente consumida, mas também para promover práticas agrícolas que respeitem e preservem o meio ambiente. Para o futuro, torna-se cada vez mais evidente que a integração de espécies nativas na agricultura pode desempenhar um papel vital na adaptação às transformações climáticas e na conservação dos recursos naturais.
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