[ZTOP na Autodesk 2016] O objetivo da Autodesk é de tornar a realidade virtual em algo tão simples e prático quanto pressionar um botão nos softwares da empresa.
Depois da nossa visita ao Pier 9 no mês passado, o pessoal da Autodesk marcou uma série de entrevistas com alguns executivos e pesquisadores da casa que trabalham na sede localizada no complexo One Market Plaza, cujo prédio (The Landmark @ One Market) ela compartilha com a Salesforce e outros vizinhos ilustres.
Quando perguntei o motivo de ocupar um imóvel tão bacana, Alexandra Constantine explicou que sua localização é muito boa, perto de praticamente todas as linhas de transporte público, o que inclui a barca, ônibus, metrô, trem metropolitano e até o bondinho elétrico que passa na frente antes de ir para o Fisherman’s Wharf.
Esse escritório também abriga o museu da empresa — o Autodesk Gallery — que tivemos a oportunidade de conhecer em 2011. De fato, a versão real motor de avião 320T da ADEPT Airmotive ainda está lá na recepção para a dar as boas vindas aos visitantes:
Só que desta vez fui levado para uma pequena sala transformada em campo de provas para realidade virtual…
… once encontrei Joel Pennington, gerente de produtos responsável pelas iniciativas de Realidade Virtual (VR) e Realidade Aumentada (AR) e líder do grupo LIVE Design da Autodesk.
Segundo o executivo, o Live Design é uma iniciativa da empresa criada para desenvolver o que há de mais avançado na visualização de projetos arquitetônicos, incluindo o uso das novas ferramentas de VR como o Oculus Rift ou o HTV Vive integrando tais recursos aos atuais produtos da casa, como o Autodesk Revit ou o 3DS Max.
Porém, o grande desafio dessa iniciativa é que os programas de desenho/modelagem/CAD são, na sua essência, sistemas que descrevem objetos em 2D ou 3D de maneira clara e precisa. Já os programas de renderização/visualização em 3D fazem parte de um outro mundo onde as tecnologias são mais voltadas para o mundo do entretenimento como jogos, animações e efeitos visuais para cinema e TV.
No geral esses dois mundos até trabalham junto e se complementam, mas não é comum que eles trabalhem ao mesmo tempo e em tempo real.
Para criar uma ponte entre o mundo do desenho técnico e de entretenimento em tempo real, a Autodesk desenvolveu o Autodesk Stingray, que é um game engine que pode ser usado tanto para o desenvolvimento de jogos…
… quanto para visualizar projetos de arquitetura:
O interessante é que o Stingray também está sendo adaptado para ser compatível com as novas tecnologias de VR, o que pode viabilizar uma infinidade de novas aplicações profissionais para a indústria que a Autodesk não vai querer ficar de fora, né?
A demonstração feita por Pennington já foi mostrada na última edição do Autodesk University 2015 (evento por sinal, coberto pelo Henrique), que utiliza um HTC Vive como instrumento de visualização e navegação nesse mundo virtual. Ela começa com uma vista aérea em 3D da cidade de San Francisco — onde podemos ver o prédio (marrom) da Autodesk ao centro…
… onde somos transportados para um apartamento localizado (virtualmente?) na cobertura do prédio da Autodesk, onde podemos nos mover (de maneira limitada devido ao tamanho da sala de VR) e explorar livremente tanto o seu interior…
… quanto a parte de fora do imóvel, permitindo assim que o visitante possa perceber e analisar diversos fatores do ambiente, incluindo coisas que podem passar despercebidas como as vistas das janelas ou detalhes a vizinhança.
E além de apreciar a paisagem e a decoração dos ambientes, também é possível interagir com os objetos da cena com a ajuda do controle remoto do Vive…
… de modo que podemos, por exemplo apontar para o conjunto de poltronas da sala…
… e trocá-los de posição:
Do mesmo modo, se não gostamos da mesa de jantar…
… podemos apontar para ela…
… e trocá-lo por algo mais alegre e moderno, o que pode ser — no futuro — uma poderosa ferramenta para incorporadores, arquitetos e até decoradores criarem a “casa dos sonhos” de seus clientes sem ter que assentar um único tijolo.
Porém o recurso que mais me chamou a atenção é que essa ferramenta de visualização também pode integrar informações técnicas do projeto de construção (presentes no desenho original do Revit)…
… permitindo assim que detalhes importantes como o posicionamento de vigas, colunas, canos d’água e dutos elétricos possam ser facilmente localizados e estudados de maneira simples e direta, o que é uma ferramenta muito poderosa tanto para tarefas simples (como não furar um cano na próxima vez que formos pendurar um quadro) quanto complexas (como planejar uma grande reforma do imóvel).
Isso realmente muda radicalmente a percepção desse produto, que deixa de ser uma versão super-vitaminada do jogo “The Sims” para se tornar um super sistema para projetos de arquitetura e construção onde tudo pode ser colocado — incluindo o passeio pelo imóvel.
Depois da demonstração, tive um tempo para conversar com Pennington e aproveitei a deixa para perguntar-lhe se essa ferramenta poderia ser usada durante o desenvolvimento de um projeto, para conferir se uma idéia colocada no papel ficaria bem no mundo real.
Ele respondeu que a idéia original dessa aplicação era somente em projetos finalizados para ser usado, por exemplo, como uma ferramenta de vendas para corretores. Porém, ele ouviu essa mesma questão de outras pessoas que viram essa demonstração e, de fato, seus arquitetos estavam utilizando bastante essa ferramenta também durante processo de criação do desenho para testar suas idéias — o que para ele foi uma grande surpresa.
Quando perguntei se essa tecnologia poderia ser integrada dentro de outros produtos da casa — como o Revit — o executivo explicou que, por enquanto esses recursos de visualização e uso de ferramentas de VR estão implementados apenas no Stingray. Isso porque o foco desse produto ainda são aqueles profissionais especializados em games que sabem trabalhar com visualizações em 3D.
Mas ele disse que já existe uma nova aplicação na nuvem chamada Autodesk Live que oferece as mesmas funcionalidades do Stingray, mas ela é voltada para usuários que não dominam as técnicas de visualização em 3D. De fato, o Live permite que projetos criados no Revit possam ser convertidos em experiências interativas com apenas um toque de botão.
Assim, o Live é o grande candidato da empresa para incorporar as tecnologias de VR no mundo do desenho técnico, permitindo assim que os profissionais desta área possam experimentar e explorar suas idéias de maneira muito mais simples e interativa.
Porém, Pennington observa que como a proposta do Autodesk Live é de ser um produto simples e automático (ele se integra à barra de ferramentas do Revit como se fosse um plug-in de software), ele pode não ser tão sofisticado, versátil e flexível quanto o Stingray, mas mesmo assim ele acredita que existe espaço para ambos os produtos no catálogo da empresa.
Quando perguntamos se já existe uma previsão de quando os recursos de VR estarão disponíveis no Live, o executivo disse que não poderia responder isso naquela agora, mas ele confirmou que o trabalho está andando e que quando ficar pronto eles avisam a gente!
Ok ficamos no aguardo. 
Disclaimer: Mario Nagano visitou o The Landmark @ One Market a convite da Autodesk, mas as opiniões e fotos bacanas são dele.
Autodesk + VR: Onde o CAD e o videogame se encontram foi publicado no ZTOP+ZUMO.
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