Negócios

4 tendências do setor de pagamentos para 2017

Escrito por Vinnícius Lopes

Transações sem cartões ou cédulas já são realidade, mas exigem tecnologia e cibersegurança por parte do varejo

O que antes era uma cena digna de ficção científica, hoje é realidade para uma parcela da população brasileira. Na hora de realizar um pagamento, nada de cartão de crédito ou dinheiro. Basta tirar o smartphone, entrar em um aplicativo ou aproximá-lo da maquininha e pronto: a transação foi realizada.

O exemplo mostra como o conceito de pagamento digital está remodelando a forma como a sociedade lida com o dinheiro. A Suécia, por exemplo, caminha para ser o primeiro país sem cédulas. Dados do Banco Central do país nórdico mostram que, até 2030, as moedas e cédulas devem sair de circulação, inclusive em instituições bancárias.

A tecnologia para isso já está disponível. Alguns serviços, por exemplo, guardam os dados do consumidor e processam os pagamentos para aplicativos como Uber e Spotify. Outros utilizam a tecnologia NFC (sigla para Near Field Communication), que facilita a troca de informações.

O principal benefício do pagamento digital é garantir a melhor experiência de compra para o consumidor, que pode concluir o pagamento em poucos segundos ou até mesmo apenas usufruir do serviço sem ter que passar pelo caixa depois. Confira outras características importantes sobre o tema:

Pagamento “zero clique” veio para ficar

Como o objetivo do pagamento digital é eliminar o atrito no momento de finalizar o pedido, a tendência é o conceito ganhar cada vez mais espaço nas empresas. “Hoje é comum investir no pagamento um clique, mas já existe a modalidade ‘zero clique’, com fornecedores que armazenam os dados e processam a transação para diferentes aplicações”, confirma Jerome Pays, diretor de e-commerce da Lyra Network, empresa especializada em transmissão de pagamentos eletrônicos. Isso explica, por exemplo, a popularização de pagamentos recorrentes, como clubes de assinatura online, e aplicativos de serviços.

Queridinha da Geração Y, mas um grande problema para os lojistas

É inegável que os jovens da geração Y (nascidos nos anos 1980 e 1990) impulsionam o conceito de pagamento digital porque ele oferece uma melhor experiência de compra. Contudo, a transação representa um grande risco de fraude para o lojista, que pode vender seu produto e não receber por ele. “No Brasil há um alto índice de chargeback e isso se transforma em um impeditivo para a adoção em larga escala dos pagamentos digitais”, explica Fabrício Costa, CEO da Equals, empresa especializada em gestão e conciliação de vendas com cartões de crédito e débito, boletos e outros meios de pagamentos online.

E-Wallets prometem trazer praticidade e segurança ao mercado consumidor

Imaginar uma realidade onde não seja mais necessário portar cédulas de dinheiro ou cartões de crédito para realizar compras já não parece estar tão distante assim dos consumidores –  afinal, as e-wallets, também conhecidas como carteiras virtuais, prometem conquistar cada vez mais espaço nos próximos anos. Por meio de uma e-wallet, os dados do comprador são armazenados de forma criptografada, sem que a cada compra ele precise preenchê-los novamente – a criptografia de informações também torna a transação mais protegida contra fraudes. “É uma tendência mundial não só por conta da sensação de segurança, mas também pela facilidade para os usuários. No futuro, grande parte dos pagamentos será feita via carteira digital”, comenta Fábio Santos, Head de Marketing do Pagar.me, empresa especializada em tecnologia de meios de pagamento.

Com mais segurança, migração do papel para o digital é irreversível

Conforme os usuários vão conhecendo e se encantando com a nova experiência de compra, a expectativa é que, pouco a pouco, as cédulas e os cartões físicos sejam substituídos. “A migração do papel para o digital é irreversível, pois será uma opção segura e cômoda para as pessoas”, explica Pays.

Por sua vez, Costa acredita que as empresas podem recorrer a outros recursos, como conciliação, para diminuir as fraudes nas transações. “O lojista precisa estar preparado para o mundo digital e ter um controle pleno dos recebíveis e chargebacks realizados. A má gestão financeira pode representar um grande prejuízo ao negócio que não estiver preparado para essa nova era digital”, conclui.

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Vinnícius Lopes