A discussão sobre soberania digital e política industrial no Brasil está se intensificando, com implicações diretas para o mercado de tecnologia e usuários finais. A AbraCloud, associação que representa os principais provedores de infraestrutura e serviços de nuvem do país, está liderando um debate crucial sobre como garantir a competitividade do setor e a proteção dos dados dos cidadãos brasileiros. Isso é especialmente importante em um cenário onde grandes quantidades de informações estão armazenadas em servidores localizados fora do Brasil, muitas vezes utilizando tecnologia estrangeira.
Atualmente, a digitalização avança rapidamente, resultando em um crescimento anual de dois dígitos no setor de infraestrutura de nuvem. Essa transformação exige uma abordagem sólida em relação à soberania dos dados, pois a dependência de provedores estrangeiros pode expor informações sensíveis a riscos, como o “lock-in”, que limita a migração para outras soluções e compromete a segurança dos dados.
A AbraCloud enfatiza que o governo deve estabelecer critérios rigorosos para a contratação de serviços em nuvem, priorizando fornecedores que assegurem a soberania no armazenamento, processamento e transmissão de dados. Além de considerar a localização geográfica dos data centers, é essencial o uso de tecnologias de código aberto, a fim de garantir um controle mais efetivo sobre a infraestrutura crítica.
Os riscos associados à falta de uma política robusta de soberania digital são significativos. Entre as preocupações levantadas, destacam-se:
- Espionagem: Dados que transitam por hubs internacionais estão sujeitos a intervenções e vigilância.
- Dependência tecnológica: O uso de soluções de tecnologia proprietária pode criar obstáculos à migração para alternativas mais estratégicas e seguras.
- Perda de autonomia governamental: A falta de controle sobre a infraestrutura digital torna o governo vulnerável a decisões externas que afetam serviços essenciais.
A entidade defende que a soberania digital seja um tema estratégico para o governo atual e para o futuro, sugerindo uma política industrial que fortaleça o setor de data centers e cloud computing. Isso inclui a promoção de tecnologias abertas e a criação de um ambiente regulatório favorável à inovação.
A certeza de que legislações semelhantes às da União Europeia, que propõem regulamentos robustos sobre soberania digital, devem ser observadas, é outro ponto importante. O Brasil deve se alinhar com esses padrões, criando regras que favoreçam provedores locais e assegurem a proteção dos dados dos cidadãos.
Os impactos da ausência de uma política industrial no setor digital são palpáveis e podem ter repercussões significativas para o Brasil. A AbraCloud sugere uma reforma tributária que considere a redução da carga sobre serviços de nuvem e infraestrutura digital, tornando o ambiente mais atrativo para investimentos.
Além disso, a capacitação profissional se torna uma urgência, considerando a crescente demanda por mão de obra qualificada. Políticas que estimulem a formação e ampliem os programas educacionais em tecnologia são fundamentais para garantir que o país acompanhe as inovações globais.
Em linha com esse pensamento, Roberto Bertó, presidente da AbraCloud, destaca a necessidade de um diálogo constante entre governo, setor produtivo e sociedade civil. O fortalecimento dessa colaboração é vital não apenas para o avanço tecnológico, mas também para o desenvolvimento econômico e social do Brasil.
Com a agenda em evolução, a necessidade de iniciativas que promovam a soberania digital e a política industrial se torna cada vez mais evidente. As ações da AbraCloud podem ser o primeiro passo rumo a um futuro em que o Brasil exerça maior controle sobre suas infraestruturas de tecnologia.
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