Se você estava pensando em trocar de celular este ano, prepare o bolso: a Samsung acabou de divulgar números que mostram por que os próximos smartphones podem custar mais caro — e não apenas os dela. A gigante sul-coreana registrou lucros recordes no quarto trimestre de 2025, mas há um detalhe preocupante: a margem de lucro da divisão de celulares despencou de 8,1% para 6,5% em apenas um ano. Traduzindo: cada Galaxy vendido está rendendo menos dinheiro para a empresa, mesmo com vendas em alta.
O culpado? O mercado de memória RAM e chips de armazenamento entrou em parafuso. Os preços desses componentes explodiram, encarecendo a produção de qualquer eletrônico — de notebooks a geladeiras inteligentes. E a Samsung, que fabrica seus próprios chips, está sentindo na pele: ou repassa o custo para o consumidor, ou vê sua margem de lucro evaporar.
Por que a Samsung ainda não aumentou os preços (mas pode ter que aumentar logo)
Até agora, a empresa segurou a onda. Relatórios recentes indicavam que o Galaxy S26 — esperado para o segundo semestre — poderia chegar mais caro nos Estados Unidos e na Europa. Mas fontes próximas à companhia sugerem que Samsung decidiu não mexer nos preços… por enquanto.
A estratégia? Cortar benefícios. Espere menos brindes, cashback reduzido e promoções de pré-venda mais tímidas. Em outros mercados, como América Latina e Ásia, a história pode ser diferente: aumentos pontuais já aconteceram no passado e podem se repetir.
O problema é que essa tática tem prazo de validade. “Nenhuma empresa aguenta comprimir margens indefinidamente”, explica um analista do setor de semicondutores que preferiu não se identificar. “Se o custo da memória LPDDR5X continuar subindo, a Samsung terá que escolher: perder dinheiro ou perder clientes.”
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O que está acontecendo com os chips de memória?
A crise começou em 2025, quando a demanda por memória de alta velocidade disparou — impulsionada por inteligência artificial, data centers e a corrida por smartphones com 12 GB de RAM ou mais. A oferta não acompanhou, e os preços triplicaram em alguns segmentos.
Ironia: a própria Samsung é uma das maiores fabricantes de chips do mundo. Seus lucros recordes vieram justamente da divisão de semicondutores, que vende memória para… concorrentes. Enquanto isso, a divisão de celulares sangra margem comprando os mesmos componentes que a empresa produz.
É como se a mão direita estivesse lucrando às custas da mão esquerda — e o consumidor final acaba pagando a conta.
Por que isso importa para donos de dobráveis antigos
Se você tem um Galaxy Z Fold 4 ou S22 e planejava esperar mais um ano, talvez seja hora de reconsiderar. Analistas preveem que a “janela de preços estáveis” está se fechando. Modelos intermediários, como a linha Galaxy A, também devem sentir o impacto — justamente a faixa mais popular no Brasil.
E não é só Samsung. Apple, Xiaomi, Motorola e outras marcas dependem dos mesmos fornecedores de memória. A diferença é que a Apple historicamente repassa aumentos com menos cerimônia, enquanto marcas chinesas podem absorver parte do custo para ganhar mercado.
O que esperar dos próximos meses
A Samsung não comentou oficialmente sobre preços do Galaxy S26, mas os números falam por si. Com margem de lucro em queda e custos em alta, a empresa terá que tomar uma decisão até o lançamento, previsto para agosto.
Três cenários são possíveis:
- Aumento disfarçado: preço base igual, mas menos memória ou armazenamento na versão de entrada
- Corte de benefícios: fim de fones de ouvido grátis, capas e créditos de pré-venda
- Alta seletiva: preços mantidos nos EUA e Europa, reajuste de 10-15% em outros mercados
Informações adicionais via SamMobile.
Créditos TecStudio

