Enquanto a NVIDIA domina as manchetes com sua ascensão meteórica no mercado de IA, uma gigante sul-coreana prepara um contra-ataque silencioso e lucrativo. A Samsung Electronics, impulsionada pelo chamado “superciclo” dos semicondutores de memória, caminha para bater recordes de lucratividade que podem, em dois anos, colocá-la à frente da própria NVIDIA. A projeção, feita por analistas de mercado, pinta um cenário onde quem vende as “picaretas” da corrida do ouro tecnológico pode faturar mais que os garimpeiros.
Os números preliminares do primeiro trimestre de 2026 já dão o tom da reviravolta. A empresa divulgou que espera atingir um lucro operacional próximo de US$ 42 bilhões apenas entre janeiro e março, um salto de 755% em relação ao mesmo período de 2025. Segundo a orientação de resultados da Samsung, isso significa que a companhia faturou mais em um único trimestre de 2026 do que em todo o ano anterior.
Projeções ousadas para 2027 colocam Samsung no topo
A confiança dos analistas vai além dos resultados recentes. Eles acreditam que o ciclo de alta dos preços da memória está apenas na metade, com espaço para mais valorização. A corretora KB Securities é uma das mais otimistas. Em relatório ao mercado, a firma projeta que a Samsung registrará um lucro operacional anual de US$ 221 bilhões em 2026 e uma cifra impressionante de US$ 330 bilhões em 2027.
É nesse ponto que a comparação com a NVIDIA ganha corpo. As projeções da KB Securities para o lucro da NVIDIA em 2027 ficam abaixo dos US$ 330 bilhões. Se a Samsung atingir essa marca, se tornaria a empresa com o maior lucro operacional do mundo no próximo ano, um feito notável considerando que seu valor de mercado é apenas 19% do da agora rival norte-americana, segundo os analistas.
O “superciclo” da memória e a estratégia da picareta
O motor por trás desse crescimento explosivo é a demanda insaciável por chips de memória de alta performance (HBM), componentes críticos para treinar e executar modelos de inteligência artificial. Enquanto empresas como a NVIDIA desenvolvem os processadores (GPUs) que são o “cérebro” da IA, a Samsung fornece a “memória” essencial para que eles funcionem em grande escala.
“O ditado ‘venda picaretas durante uma corrida do ouro’ se encaixa perfeitamente no caso da Samsung”, observa o texto original da reportagem do SamMobile. A empresa se posiciona como fornecedora fundamental de um componente sem o qual a revolução da IA simplesmente não avança, garantindo receita constante independentemente de qual empresa vença a batalha específica dos processadores.
Contexto e ressalvas sobre as projeções
É importante notar que essas são projeções de analistas de um banco específico (KB Securities), e não previsões oficiais da Samsung. O cenário macroeconômico global, flutuações na demanda por IA e a capacidade da própria Samsung de manter a liderança na produção de HBM podem alterar drasticamente esses números.
Além disso, a comparação direta com a NVIDIA é complexa. As duas empresas possuem modelos de negócio e estruturas de custo diferentes. A NVIDIA tem margens de lucro historicamente altíssimas em sua divisão de Data Center, enquanto a Samsung opera em um segmento (memória) conhecido por sua ciclicidade e pressão competitiva.
Ainda assim, as projeções sinalizam uma mudança significativa no tabuleiro da tecnologia. Elas mostram que o ecossistema de IA está gerando riqueza colossal além das estrelas mais óbvias, beneficiando fornecedores de componentes essenciais. Se confirmadas, essas previsões reconfigurariam a hierarquia de lucratividade do setor de tech, provando que, na nova corrida do ouro, quem fornece as ferramentas pode, sim, sair com a bolsa mais cheia.
Fonte: SamMobile
Créditos TecStudio

