Negócios

Produtos que são afetados pela cotação do dólar em tempos de pandemia

O dólar tem alcançado índices históricos frente ao real e isso impacta diretamente no bolso do consumidor; entenda

Com o avanço da covid-19, síndrome respiratória grave que pode levar à morte, as economias mundo a fora estão vivendo dias de instabilidade.

A crise global é uma realidade incontestável e o resultado disso tudo afeta diretamente o bolso do consumidor.

A cotação do dólar hoje no Brasil é de R$ 5,36. Em meio à pandemia, a moeda americana já chegou a R$ 5,70 e, não sai da casa dos R$ 5 desde que o novo coronavírus se instalou de vez no país.

Isso representa a franca desvalorização da moeda brasileira, que chegou a meados de março com quase 27% de perda do seu valor anual.

Esse número coloca o Real no primeiro lugar do ranking de moedas mais desvalorizadas entre os países emergentes. É o pior resultado em 11 anos.

A explicação para esse resultado negativo está no fato de que em momentos de crise os investidores tendem a fugir de países de risco, como o Brasil.

Nessas situações, como a provocada pela pandemia, a rota de fuga é sempre o Tesouro Americano, já que o dólar é um dos ativos mais seguros do mercado de ações.

E o cenário é nada favorável para o Brasil diante da crise política interna desencadeada pela saída do ministro da Justiça, Sérgio Moro, um dos nomes fortes do governo.

O pedido de demissão, recheado de polêmicas e muitas denúncias, azedou o humor dos investidores, que já estavam de olho numa possível tensão entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o ministro da Economia, Paulo Guedes.

Impactos da alta do dólar

Para além dos preços de passagem para a Disney, o dólar nas alturas eleva também o valor de produtos no supermercado e até na padaria, já que o trigo usado na fabricação do pão é importado.

No entanto, o principal setor afetado é o de eletrônicos, pois a maioria dos produtos conta com peças importadas da China, de onde o novo coronavírus surgiu.

Sendo a primeira nação a notificar casos da covid-19, a China foi também a primeira a sofrer os impactos econômicos, tendo sua produção paralisada por meses, desencadeando um verdadeiro efeito cascata ao redor do globo.

O setor alimentício também já sente os efeitos da crise global. Vinhos, uísques, chocolates e azeites importados já tiveram seus preços reajustados nas gôndolas de supermercado e, certamente, terão que administrar prejuízos em longo prazo.

O motivo é que o novo coronavírus não é apenas um problema de saúde pública, sua contenção implica diretamente na economia. Afinal, a recomendação é para que as pessoas fiquem em casa e evitem aglomerações, como as comuns em centros comerciais.

Por conta disso, muitas pequenas e médias empresas se vêm obrigadas a dispensar seu quadro de funcionários ou, na melhor das hipóteses, se valer das medidas adotadas pelo governo de reduzir jornadas e salários durante o período de pandemia.

Com empregos e salários na corda bamba, o consumidor está mais cauteloso na hora de fazer compras, focando em itens essenciais, que muitas vezes são adquiridos em compras on-line cujos pagamentos podem ser feitos por meio de transferências internacionais. Esse comportamento também contribui para um desaquecimento da economia nacional.

Crise política

Como se já não bastasse a crise sanitária global, afetando diretamente a economia, o Brasil ainda enfrenta uma forte crise política, que também impacta no desempenho do real frente ao dólar.

A demissão de Luiz Henrique Mandetta da pasta da Saúde, pelas discordâncias públicas com o presidente Bolsonaro sobre a condução do combate à pandemia, trouxe uma instabilidade ao cenário brasileiro, que foi complicada pelo pedido de demissão de Sérgio Moro.

Isso porque Moro era um dos principais nomes do atual governo e saiu fazendo denúncias graves que incluem falsidade ideológica, interferência em assuntos da Polícia Federal, interferência política no ministério, entre outros.

O clima de tensão gera desconfiança do investidor estrangeiro, aumenta o grau de risco do Brasil e, consequentemente, a fuga de capitais.

Por agência Experta media.