Em 2010, a Peugeot lançou a Hoggar, uma picape compacta baseada no modelo 207, com a proposta de oferecer uma alternativa no competitivo segmento de picapes. Com capacidade de carga de aproximadamente 1.150 litros e carga útil que ultrapassava 700 quilos, a Hoggar tinha o potencial para rivalizar diretamente com as líderes Fiat Strada e Volkswagen Saveiro. No entanto, a realidade enfrentada por motoristas e empresas que dependiam de um veículo confiável de trabalho se mostrou desastrosa.
Embora o modelo prometesse uma boa mecânica e um design moderno, a Peugeot Hoggar carregava consigo um histórico de reputação negativa que a marca acumulou ao longo dos anos. Problemas em outros modelos tornaram-se um sinal de alerta. No caso da Hoggar, a realidade mostrou que, mesmo com uma proposta interessante, a execução do projeto falhou em atender as demandas do consumidor brasileiro.
As motorização da Hoggar incluía um motor 1.4 Flex de até 82 cv e um 1.6 16V que alcançava 113 cv. No entanto, esses motores, conhecidos por serem utilizados em outros modelos da Peugeot, enfrentaram um desafio significativo quando colocados em uma picape cujo uso frequentemente se aproximava do limite. A versão 1.4, que se tornou a mais vendida, rapidamente se tornou famosa por problemas com a junta do cabeçote, resultando em vazamentos de líquido de arrefecimento e superaquecimento, especialmente em situações de carga máxima. Para motoristas que dependiam da picape para trabalho, esses problemas significavam veículos na oficina e perda financeira, algo inaceitável quando a picape precisava ser uma ferramenta de trabalho.
As versões equipadas com o motor 1.6 enfrentaram menos problemas mecânicos, mas ainda assim, deram origem a dificuldades próprias, como o desgaste prematuro da transmissão quando submetido a cargas pesadas. Proprietários relataram ruídos e a necessidade de reparos frequentes, o que causava prejuízos financeiros adicionais.
Além dos problemas com a motorização, a Hoggar também era marcada por falhas elétricas e um desalinhamento frequente da tampa traseira, o que comprometia sua funcionalidade como veículo de trabalho. Aqueles que apenas a utilizavam de maneira casual podiam não perceber esses inconvenientes, mas os que necessitavam transportar cargas diariamente enfrentavam sérias dificuldades com a durabilidade dos componentes.
A trajetória de vendas da Peugeot Hoggar reforça a ideia de seu fracasso no mercado brasileiro. Após um início promissor, onde ultrapassou a marca de cinco mil unidades vendidas nos primeiros meses, as vendas caíram drasticamente, chegando a menos de 400 unidades anualmente em 2014, quando o modelo foi descontinuado. Em sua breve carreira, acumulou cerca de 20 mil unidades vendidas, um número que a Fiat Strada alcançava em poucos meses.
Em resumo, a Peugeot Hoggar é um exemplo de um conceito que, apesar de interessante no papel, não se sustentou na prática. Os problemas mecânicos e de qualidade, somados a uma reputação já comprometida da marca, resultaram na rápida perda de espaço da picape em um mercado que exigia robustez e confiabilidade. Ao final, a Hoggar foi mais uma prova de que, mesmo com potencial, a execução inadequada pode levar ao fracasso comercial.
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