Negócios

Paraense fatura com distribuidora de comidas típicas do norte em São Paulo

Quem nasce em regiões em que comidas típicas são marcantes e presentes no dia a dia certamente sente falta quando se muda para outra região. Foi o que aconteceu com a publicitária paraense Marina Cabral, que morando há 10 anos em São Paulo notou que nenhum restaurante servia pratos do norte. Além disso, com a alta procura pelas peculiaridades gastronômicas, paulistanos não encontravam este tipo de opção com facilidade.

Notando esta carência do mercado, e após ter sua primeira filha, Marina decidiu iniciar uma distribuidora de produtos amazônicos, principalmente para restaurantes profissionais, para que ingredientes como tucupi, jambu e molho de pimenta se tornassem parte do cotidiano na capital paulista.

Com um kit para divulgar seus produtos, Marina bateu de porta em porta e apresentou seu trabalho, qualidade e atendimento e assim nasceu no início de 2015 a Combu – Produtos da Amazônia, que projeta um crescimento de 100% no próximo ano. Confira a entrevista de A Magia do Mundo dos Negócios com Marina Cabral, proprietária da Combu:

O que fazia antes do negócio?

Atuava como publicitária, produtora de TV. Depois que a minha filha nasceu, achei difícil me readaptar a vida maluca de agência x produtora. Ainda mais que por ser de Belém e não ter família aqui, fica tudo mais complicado.

Mas sempre tive vontade de ter meu próprio negócio. Isso não saía da minha cabeça. Mas não me achava madura o suficiente. Então depois que minha filha nasceu, fui cursar administração e comecei a amadurecer as ideias.

Como percebeu esta necessidade no mercado?

Pro paraense a comida típica é sagrada. Faz parte da nossa identidade, cultura, família… está tudo ligado. Resido em São Paulo há mais de uma década e, como todo paraense que mora fora, sempre senti muita falta de tucupi, jambu, chicória, açaí, cupuaçú…

Não ter acesso rápido a produtos de qualidade era um incômodo pra mim. Fora que frequento vários restaurantes em SP e sempre fui abordada pelos chefs nos restaurantes e questionada por essa falta de fornecimento profissional dos produtos da Amazônia. Juntei literalmente a fome com a vontade de comer e comecei a projetar a Combu.

Como foi o início e a valisação da ideia?

Quando abrimos, eu fui batendo de porta em porta. Confeccionamos 100 sacolas térmicas com a identidade visual da empresa e nela colocávamos amostras de todos os produtos comercializados.

Selecionamos os restaurantes que tinham o perfil, fazíamos o contato e posteriormente a visita. A ideia sempre foi esclarecer que somos uma empresa que trabalha com pronta entrega, que temos estoque, que trabalhamos com produtos rotulados, com procedência e de qualidade, que estamos adequados a todos os padrões exigidos pela Anvisa e que entregamos (com carro refrigerado e autorizado pela própria Anvisa) no cliente. Assim acabamos com a insegurança e

Marina é paraense e inovou com a distribuição de produtos da Amazônia em São Paulo. (Divulgação)
Marina é paraense e inovou com a distribuição de produtos da Amazônia em São Paulo. (Divulgação)

desconfiança em relação a oferta dos produtos. Porque os chefs queriam, mas tinham medo de colocar no cardápio e ficar sem em algum momento ou mesmo de comprar. Hoje em dia temos um fluxo de vendas regular e atendemos mais sob demanda. Fora que a mídia vem nos tratando com MUITO carinho e vem nos beneficiando com uma série de matérias que ajudam significativamente no crescimento da Combu.

Qual foi o investimento inicial? E o faturamento atual?

O investimento inicial foi de R$ 250 mil incluindo compra de equipamentos, adequação do ponto, assistência técnica de vários profissionais (nutricionista, contador, bombeiros), carro, equipamento de refrigeração, etc.

Vamos fechar 2016 com faturamento mensal de R$ 30 mil ao ano, o que é pouco para uma distribuidora. Pretendemos dobrar esse valor em menos de um ano.

Qual foi a receptividade paulistana aos pratos do norte?

Surpreendente. Você sabe que pode contar com a comunidade nortista aqui em SP. Porém, metade dos nossos clientes diretos (varejo) são paulistanos. Eles são curiosos, abertos a novas experiências e amam cozinhar.

Quais pratos podem ser produzidos com seus produtos?

Nossos clientes produzem tanto pratos típicos (maniçoba, tacacá, pato no tucupi), como novas criações (risotos, molhos, peixes, farofas, etc)

Quais são os planos para o futuro?

Focar mais no varejo. No nosso primeiro ano o objetivo era conquistar bons restaurantes, hotéis e faculdades de SP. Em 2017 vamos focar em redes varejistas e tentar atender o varejo (venda direta) de forma mais adequada.

A distribuidora abriu com o intuito de trabalhar com o atacado, mas o cliente final veio até nós. Hoje representa uma parcela considerável do nosso faturamento e precisamos nos preparar para atendê-los melhor.

Qual sua dica para os empreendedores que estão iniciando carreira?

Prepare-se, pesquise, estude. Faça um plano de negócios e leve-o a sério. Conheça seus concorrentes, seus acertos e suas falhas. Atenda bem, seja cortês, pois seu cliente é seu maior patrimônio. Tenha fluxo de caixa. Não adianta ter uma boa ideia sem dinheiro no caixa para ter tempo de fazer as coisas acontecerem. E o mais importante: trabalho árduo. Não ache que ter empresa torna a vida mais fácil. Arregace as mangas e faça acontecer.

Confira alguns dos produtos vendidos por Marina na Combu:

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