A urgência da emergência climática impõe desafios significativos à agricultura, especialmente na produção de alimentos. A adoção de práticas regenerativas nas fazendas de café tem se mostrado uma solução eficaz. Esses métodos ajudam a restaurar o solo, proteger as safras e, consequentemente, garantir a renda dos produtores. Um exemplo expressivo pode ser observado nas fazendas que fornecem café para a Nespresso Brasil: em meio à seca que afetou a safra de 2025, essas propriedades utilizaram práticas regenerativas, resultando em uma produção 20% superior e 25% menos emissões de CO₂ em comparação às fazendas convencionais.
Dados recentes revelam que o Brasil, o maior fornecedor de café da Nespresso, responsável por 30% do volume global da produção, tem se tornado um laboratório para testar e expandir essas práticas sustentáveis. Em 2025, 95% do café adquirido pela Nespresso no Brasil virá de fazendas que aplicam a agricultura regenerativa, um aumento em relação a 84% em 2022. Este avanço também impactou a média global, que subiu de 76% para 85% no mesmo período.
Daniel Motyl, gerente de café verde da Nespresso Brasil, destaca a transformação na mentalidade dos produtores. Inicialmente, poucos adotavam práticas regenerativas, mas agora a maioria percebeu os benefícios tangíveis que essas técnicas oferecem. A conscientização e os resultados positivos têm impulsionado uma adesão crescente à agricultura regenerativa.
A divulgação das estatísticas ocorreu durante uma sessão do documentário “Groundswell”, que ilustra como o cuidado com o solo e com a produção de alimentos pode mitigar as mudanças climáticas e garantir um futuro sustentável. O documentário também relata a trajetória de Rubén Agudelo, um cafeicultor colombiano que, ao longo de 20 anos, demonstrou os impactos positivos da agricultura regenerativa nas comunidades cafeeiras.
O desempenho das fazendas que adotam essas práticas é notável. Em um monitoramento recente envolvendo 240 propriedades, foi constatado que, mesmo com a seca que afetou a produtividade média — que caiu de 40 para 32 sacas por hectare —, as fazendas que investem em manejo regenerativo colheram em média 36 sacas por hectare. Isso contrasta com as 30 sacas obtidas pelos demais produtores.
Essas fazendas se distinguem pela combinação de técnicas que melhoram a qualidade do solo. Investimentos em solo saudável, com maior presença de matéria orgânica, resultaram em 66% a mais de fertilizantes orgânicos utilizados, 10% mais plantas de cobertura e uma redução de 30% no uso de herbicidas. Além disso, essas propriedades apresentaram 25% menos emissões de carbono (1,6 kg de CO₂ por kg de café, em comparação a 2,1 kg entre os outros produtores).
Um caso ilustrativo é o da Fazenda Luciana, em Cerrado Mineiro, que testou simultaneamente seu manejo convencional e o biológico. As colheitas mostraram um aumento consistente de 4,1% na produtividade ao aplicar o manejo regenerativo. O solo demonstrou significativas melhorias, como a recuperação da população de Trichoderma, um fungo benéfico.
Para fortalecer a prática e apoiar os produtores, a Nespresso anunciou um investimento de aproximadamente R$ 6 milhões no Prêmio Regenerativo Avançado, além dos R$ 70 milhões anuais destinados à cadeia produtiva do café no Brasil. Essa iniciativa visa reconhecer a importância do cuidado com o solo e fornecer incentivos financeiros para a adoção de práticas que ainda não são valorizadas no mercado.
Outra ação recente é o plantio de cerca de 98 mil mudas de árvores nativas em 11 fazendas de café. Em colaboração com a organização PUR, a Nespresso busca restaurar a vegetação nativa em áreas adjacentes ao cultivo. Essa iniciativa irá reforçar a biodiversidade, regular a hídrica e melhorar a capacidade de armazenamento de carbono na região do Cerrado Mineiro.
As estratégias incluem o uso de árvores como quebra-vento, o plantio no sistema de café arborizado e a restauração em áreas com espécies nativas. Essas práticas visam proteger o solo, aumentar a biodiversidade e criar um microclima favorável às lavouras.
A Nespresso, junto à PUR, já plantou mais de 10 milhões de árvores em seis países, utilizando o conceito de insetting, que busca benefícios ambientais dentro da própria cadeia produtiva. A companhia continuará a monitorar e reconhecer o impacto positivo, incorporando indicadores de reflorestamento ao Prêmio Regenerativo Avançado.
Essas iniciativas demonstram que a agricultura regenerativa não apenas contribui para a sustentabilidade, mas também estabelece um novo patamar de qualidade e resiliência na cadeia do café, assegurando que as futuras gerações possam usufruir de um planeta mais saudável.
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