A transferência de Mila, uma fêmea de sagui-da-serra-escuro (Callithrix aurita), desempenhou um papel crucial na conservação da espécie. Nascida em 2023 em São Paulo e transferida para o Parque Zoológico de Sapucaia do Sul, no Rio Grande do Sul, em janeiro de 2026, Mila agora é mãe de dois filhotes. Essa movimentação faz parte dos esforços para manter a biodiversidade da espécie, que está ameaçada de extinção.
O Centro de Conservação da Fauna Silvestre (Cecfau) de Araçoiaba da Serra, ligado à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil), foi responsável pelo acompanhamento de Mila desde o seu nascimento. A viagem para o sul foi realizada pela Latam através do programa Avião Solidário, que apoia iniciativas sociais e ambientais. Após a adaptação e quarentena, Mila foi apresentada ao macho Lindo, que já habitava o zoológico.
Em adição à nova ninhada, a mãe de Mila, Bia, também deu à luz a dois filhotes com Xereta, outro sagui, totalizando agora 12 descendentes nesse grupo familiar. O sagui-da-serra-escuro, encontrado naturalmente na Mata Atlântica, está classificado como “em perigo de extinção” na Lista Nacional de Espécies Ameaçadas de Extinção. Sua principal ameaça é a perda e fragmentação do habitat, além da hibridização com espécies invasoras.
Importância da conservação
Para lidar com essas ameaças, o Programa Nacional de Conservação do Sagui-da-Serra-Escuro, coordenado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), trabalha em colaboração com a Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil (AZAB). O foco é manter uma população de segurança da espécie, preservar a diversidade genética e preparar ações para o reforço populacional e a reintrodução em áreas naturais onde historicamente ocorreram.
O nascimento dos filhotes de Mila é um resultado tangível desses esforços e um sinal positivo para a conservação do sagui-da-serra-escuro. As iniciativas contínuas de reprodutibilidade e manejo reprodutivo são essenciais não apenas para a sobrevivência da espécie, mas também para restaurar a biodiversidade na Mata Atlântica.

