O cenário de um mercado de trabalho pouco promissor para as mulheres no Brasil, embora elas sejam a maioria da população (51,4 %), segundo o IBGE, e terem maior tempo de estudo (7,8 anos) em relação aos homens (7,4 anos), levantamento da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio) aponta que a desigualdade de salários em comparação com os homens ainda excede os 25%. Diferença que, segundo o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), só será nula daqui 87 anos – ao invés de desestimulá-las, vem motivando o empreendedorismo entre elas. Pouco dispostas a esperar tanto tempo para obter as mesmas oportunidades na conquista pelo emprego, cada vez mais elas optam por abrir o próprio negócio.
Nos Estados Unidos, as mulheres já despontam na participação no desenvolvimento econômico do País, segundo informações do Índice Global de Desenvolvimento de Empreendedorismo por Gênero. O Brasil aparece na 36ª colocação do levantamento, com 43 % dos donos de empresas do sexo feminino. Do total de empreendimentos ativos no País, 30 % estão sob o comando das mulheres ou as têm como sócias.
Quando a presença da mulher no comando das empresas é relacionada ao tamanho dos empreendimentos, a pesquisa aponta que elas já são maioria (59 %) nas pequenas e médias. Nas empresas classificadas como MEI – Microempreendedor Individual – o percentual sobe para 98,5 %, segundo pesquisa da Mosaic.
Elas não quiseram esperar
Ainda na faculdade, Andréa Varalta Abrahão, 37, abriu um consultório e contratou uma fonoaudióloga, tornando-se estagiária da própria funcionária. “Isso aconteceu depois que um programa de doação de próteses auditivas foi aberto em Franca. Eu me credenciei como empresa para prestar o serviço, mas como ainda não tinha me formado, contratei uma profissional que pudesse fazer o atendimento e adaptar os aparelhos. Ao atender a população, percebi que as pessoas que estavam ali tinham esperado muito pela prótese. Era minha oportunidade de negócio”, relata.
Anos depois, Andréa criou a Direito de Ouvir, para fornecer aparelhos auditivos e ajudar pessoas com perda de audição a restabelecerem o sentido. Em 2013, a fonoaudióloga lançou o sistema de franquias da marca. Um ano depois, a empresa foi adquirida pela multinacional Amplifon. Andréa tornou-se sócia e diretora técnica da rede. Hoje, a Direito de Ouvir conta com sede própria, cinco franqueados e mais de 80 fonoaudiólogas credenciadas que atendem em mais de 400 localidades no Brasil.
Outro exemplo de “impaciência” é o de Graziela Bezerra, 35. Quando concluiu a faculdade de Administração de Empresas, aos 23 anos, Graziela adquiriu sua primeira franquia, do Instituto Embelleze, em Divinópolis (MG). “Sempre tive o sonho de ser empresária. Mesmo muito jovem, quando era funcionária nas empresas, ficava imaginando como seria quando eu tivesse o meu próprio negócio. Escolhi ter uma franquia de beleza, porque sempre gostei da área”, conta.
Graziela diz ser muito gratificante capacitar pessoas e depois vê-las atuando na profissão que escolheram, muitas vezes com o próprio salão de beleza. Segundo ela, a experiência positiva dos alunos e o boca a boca ajudaram a franquia a ficar conhecida. “Investimos muito em ações sociais para divulgar nosso trabalho. A população se beneficiava com cortes, manicure e outros cuidados para levantar a autoestima; nós nos tornávamos mais conhecidos, com a divulgação do trabalho, e os alunos ganhavam com o exercício da prática das técnicas aprendidas no Instituto Embelleze.” Com o sucesso da primeira escola de beleza em Divinópolis, Graziela expandiu o negócio para as cidades de Passos e Itaúna. Hoje, além dos 130 funcionários, administra a casa e as demandas da família. Para ela, a mulher tem um poder de superação incomparável. “Somos capazes de chegar onde quisermos, se acreditarmos.”
Sobre a Direito de Ouvir
No mercado desde 2007, a missão da Direito de Ouvir é possibilitar às pessoas com perda auditiva uma melhor qualidade de vida através de uma ampla variedade de aparelhos com preços acessíveis e alta tecnologia. A empresa adotou formato de franquia em 2013 para possibilitar que empreendedores de diferentes segmentos – e não apenas fonoaudiólogos – pudessem ter a chance de trabalhar com a marca, considerada uma das mais importantes no segmento de aparelhos auditivos no Brasil. O sucesso fez com que em 2014, a rede se juntasse à multinacional Amplifon, líder mundial em soluções auditivas, presente em 22 países. A Direito de Ouvir possui cerca de 400 fonoaudiólogas credenciadas, uma loja própria e cinco franquias em diferentes regiões do país. Site: http://www.direitodeouvir.com.br/


