O cenário do marketing digital no Brasil está passando por transformações profundas, exigindo que empresas e profissionais repensem suas estratégias. Um estudo recente revelou que o papel do social media está se tornando cada vez mais estratégico, em resposta à crescente pressão por resultados tangíveis nos negócios. A pesquisa feita pela mLabs, que ouviu mais de 4 mil profissionais, destaca a necessidade de adequar abordagens, principalmente frente à ascensão da inteligência artificial, que está redefinindo a produção de conteúdo.
Com a IA, a criação de posts e campanhas se tornou mais rápida e econômica, fazendo com que a mera produção em grande escala perca seu valor. No país, 83% dos profissionais já incorporaram essa tecnologia ao seu trabalho diário, e 84% utilizam-na para gerar ideias de campanhas. O resultado é que a capacidade de escalar conteúdos se tornou um requisito básico, não mais um diferencial competitivo. Rafael Kiso, CMO da mLabs, enfatiza que “quem ainda opera com pacotes genéricos de serviços tende a perder relevância”.
Além disso, a concorrência no mercado de social media está aumentando. A acessibilidade do setor atraiu muitos profissionais, muitos dos quais sem qualificação formal, criando um ambiente saturado onde preços são frequentemente cortados. Atualmente, apenas 9% dos profissionais se sentem bem valorizados, e 55% cobram até R$ 1.500. Para Kiso, a chave para se destacar está na maturidade estratégica, e não apenas na experiência.
A mudança nas expectativas das empresas também pressiona o setor. As métricas tradicionais, como engajamento e alcance, estão dando lugar a indicadores que realmente importam para os negócios, como vendas e geração de leads. Contudo, apenas 14% das agências relatam ter o ROI como seu principal diferencial competitivo. Essa desconexão é evidente, pois 67% dos profissionais encontram dificuldades para conquistar novos clientes, e 51% reconhecem limitações em entregar resultados concretos.
Diante desse complexo panorama, a mLabs denominou essa situação de ‘Paradoxo de 2026’: a produção de conteúdo com apoio da IA nunca foi tão alta, a demanda por resultados nunca foi tão intensa e, em contrapartida, os salários dos profissionais nunca foram tão baixos. O descompasso se mostra preocupante, já que 63% dos proissionais priorizam engajamento enquanto clientes se concentram em ventas, criando uma lacuna a ser preenchida.
Reconhecendo esses desafios, a mLabs anunciou o lançamento da comunidade smLab (Social Media Lab), destinada a capacitar uma nova geração de estrategistas digitais. A proposta gira em torno de pilares como pensamento estratégico, utilização de dados, metodologias estruturadas e o emprego da IA como aliada, não como substituta. Kiso conclui que “o verdadeiro inimigo do social media não é a inteligência artificial, mas o ‘achismo’, decisões baseadas em opiniões sem fundamentação em dados”.
Esse movimento busca não só reposicionar os social medias como decisores estratégicos, mas também garantir que as empresas compreendam a importância de métricas que realmente impactam o seu desempenho financeiro. Em um cenário onde o marketing digital é crucial, alinhar expectativas e resultados pode ser a chave para um futuro mais sustentável e produtivo.
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