O IAB Brasil apresenta novos guias e um manual jurídico focados na aplicação da inteligência artificial (IA) na publicidade digital. Essas publicações têm como objetivo auxiliar empresas na adoção de sistemas automatizados e na integração da tecnologia nos fluxos de trabalho publicitário.
Os especialistas envolvidos na elaboração dos conteúdos destacam a evolução do uso da IA, que agora vai além de comandos isolados (prompts) e se integra aos sistemas operacionais das agências, influenciando decisões estratégicas de maneira automatizada.
Novas Diretrizes Práticas
Os guias oferecem recomendações práticas para diferentes etapas da operação publicitária, organizadas em cinco áreas principais:
- Conceitos e Estrutura: a transição da digitação manual para sistemas integrados de IA, com a ênfase em Context Engineering, utilização de protocolos como MCP e técnicas de RAG, visando segurança e governança de dados;
- Pesquisa e Estratégia: a introdução de Company Brains e personas sintéticas, que permitem simulações e aceleração de descobertas, enquanto a busca se transforma do SEO tradicional para o GEO (Generative Engine Optimization), posicionando as marcas para melhor visibilidade em respostas de assistentes conversacionais;
- Criação e Produção: a produção de conteúdo se torna mais técnica e automatizada, mudando o foco da quantidade para a qualidade, com a necessidade de um “orquestrador de agentes de IA” para assegurar a coerência da marca e evitar produções massificadas;
- Mídia e Performance: a evolução para decisões automatizadas e contínuas na mídia, utilizando protocolos abertos e automação em tempo real, substituindo ajustes manuais;
- Mensuração e Dados: a medição torna-se contínua, alimentando algoritmos de leilão e lance, com a integração de diferentes métricas em vez de relatórios isolados, formando um panorama mais completo das campanhas.
Conformidade e Transparência na Publicidade
O Manual de Conformidade e Boas Práticas que acompanha os guias aborda a aplicação da legislação brasileira em relação ao uso da IA, contemplando normas como o ECA Digital e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). O documento é fundamental para garantir a segurança jurídica na aplicação das novas tecnologias na publicidade.
As orientações incluem a proibição de técnicas que utilizem dados pessoais de crianças para publicidade e alertas sobre os riscos de inserir informações sensíveis em ferramentas externas, enfatizando que o uso de IA não exime os anunciantes de responsabilidades legais, como violação de direitos autorais.
Para a veiculação de produtos financeiros, as plataformas agora devem verificar a identidade e obter autorização regulatória do contratante antes da divulgação. Além disso, recomenda-se que conteúdos que utilizem IA sejam claramente sinalizados como tal, especialmente em competições do setor.
O material ainda destaca a importância de manter protocolos de proteção de marca, prevenindo a veiculação de anúncios em ambientes digitais inadequados. Um repositório público para anúncios ajudará as empresas a monitorarem e protegerem seus ativos publicitários, garantindo a integridade e a conformidade com as novas normas da publicidade digital.

