Aceleramos a versão de entrada do sedã, que está à venda por R$ 87.900 com transmissão manual de seis velocidades e visual de apelo esportivo
por Careca Auto-Peças

O novo Honda Civic começou a ser vendido no Brasil em julho deste ano com preços que partem de R$ 87.900, mas quer gastar menos de R$ 90 mil no sedã? Então, se prepare para trocar as marchas, porque a configuração Sport mais em conta só está disponível com transmissão manual de seis velocidades – as demais têm CVT e custam a partir de R$ 94.900. A novidade tem apelo esportivo e promete fazer a alegria dos entusiastas. Será?

Impressões ao volante
Nas avaliações, a décima geração do Civic chamou atenção pelo comportamento nas curvas, só que isso não é novidade para quem sempre teve boa fama entre aqueles que gostam de dirigir. A elogiada suspensão traseira multilink continua ali, mas agora vem acompanhada da vetorização de torque e da direção variável, que fica mais direta conforme o esterçamento.
Tem alguma estrada sinuosa pelo caminho? Então, aproveite para testar um pouco mais os ânimos do sedã. O limite demora a chegar e os controles eletrônicos não fazem o tipo superprotetor – a perda de aderência dos pneus vem antes da carroceria pensar em desequilibrar. Se continuar com a provocação, o modelo responderá com pouca saída de dianteira, quase com o movimento lateral que é típico dos carros com tração integral.
A alavanca de câmbio é próxima do volante graças ao console elevado, uma posição que lembra o Toyota GT-86. Os engates curtos e (muito) precisos fazem a alegria de quem quer provocar o 2.0 flex de 155 cv e 19,5 kgfm – a marca não divulga o zero a 100 km/h. Pena que os pedais não sejam um pouco mais próximos para os “pilotos” brincarem de punta-tacco.

Custo x benefício
O acabamento da cabine coloca o Civic em pé de igualdade com carros de segmentos superiores, principalmente quando comparado aos rivais Chevrolet Cruze e Toyota Corolla (afinal, a versão topo de linha do Honda beira os R$ 125 mil). Ainda assim, foi bom perceber que o título de “configuração de entrada” não enxugou a lista de equipamentos de série da opção mais em conta – que se diferencia nas ruas graças à grade e às rodas escurecidas.
Quer um exemplo? De série, o modelo traz ar digital (de apenas uma zona), seis airbags, freio de mão elétrico, câmera de ré, assistente de partida em rampa, além dos “obrigatórios” controles de estabilidade e tração. Só que a falta de saídas de ventilação para a fileira de trás é praticamente imperdoável para um carro com pretensão familiar, assim as alças no estilo “pescoço de ganso” que invadem o espaço do porta-malas sem a proteção das versões mais caras.
Segundo os números do Inmetro, o sedã conquistou boas médias de consumo, com 7,1 km/l na cidade e 9,3 km/l na estrada, ambas com etanol – isso garantiu nota A no segmento e B no índice geral do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular. O motor turbo associado ao câmbio manual é um sonho? Sim, só que a configuração aspirada não desaponta na hora de acelerar e ainda tem opção “Eco” para ajudar a beber menos.

Vale a pena?
Sim. Mas apenas para entusiastas que realmente colocam o prazer ao dirigir acima do conforto, já que sedãs com transmissão manual têm se tornado cada vez mais raros no mercado nacional. Se levarmos em consideração apenas o conjunto mecânico ou a lista de equipamentos, o Civic não desaponta, mas nem mesmo a Honda prevê boas vendas para a configuração de entrada, que deverá corresponder a 3% do total de emplacamentos.

Ficha técnica
Motor
Dianteiro, transversal, 4 cilindros em linha, 16V, comando duplo, flex
Cilindrada
1.997 cm³
Potência
155/150 cv a 6.300 rpm
Torque
19,5/19,3 kgfm a 4.800/4.700 rpm
Câmbio
Manual de 6 marchas, tração dianteira
Direção
Elétrica
Suspensão
Braços duplos triangulares (diant.) e multilink (tras.)
Freios
Discos ventilados (diant.) e sólidos (tras.)
Pneus
215/50 R17
Dimensões
Compr.: 4,63 m
Largura: 1,80 m
Altura: 1,43 m
Entre-eixos: 2,70 m
Tanque
56 litros
Porta-malas
525 litros (fabricante)
Peso
1.275 kg

Fonte: AutoEsporte
Créditos : Autos24h
