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Google é acusada de instalar 4 GB de IA sem autorização: quais são as implicações?

Usuários do navegador Google Chrome ficaram surpresos ao notar que a empresa começou a instalar silenciosamente um modelo de IA de 4 GB em seus dispositivos, sem qualquer aviso ou consentimento explícito. O Gemini Nano, que desempenha funções como reformulação de texto, alertas sobre fraudes e organização de abas, consome espaço e levanta questões sobre privacidade e regulamentação.

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De acordo com a documentação oficial do Chrome, o download de “modelos locais” acontece em segundo plano para assegurar o funcionamento das funcionalidades de IA. Contudo, essa prática tem sido alvo de críticas por potencialmente expor dispositivos a custos de armazenamento e infringir legislações de proteção de dados, como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) no Brasil e o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (GDPR) na União Europeia.

Download realizado em segundo plano

O processo ocorre sem qualquer interação do usuário, já que não há uma opção de opt-in nas configurações do Chrome. Com a ativação automática nas versões mais recentes, os recursos de IA passam a solicitar o modelo Gemini Nano, que é baixado em segundo plano assim que o navegador determina que o dispositivo atende aos requisitos mínimos de hardware.

Como o modelo é armazenado

O arquivo, denominado weights.bin, é armazenado em uma pasta chamada OptGuideOnDeviceModel. Conforme relatado pelo blog That Privacy Guy, qualquer tentativa de remoção manual resulta em um novo download: “se você apagar, o Chrome baixa novamente”, afirma o autor do post.

Esse comportamento força o usuário a utilizar comandos avançados através de chrome://flags ou ferramentas de gerenciamento corporativo para desativar o recurso de forma permanente. A alternativa mais drástica seria desinstalar o Chrome, uma opção que não é viável para muitos usuários.

O que diz o Google

Em entrevista à imprensa, conforme reportado pela CNET, um porta-voz do Google declarou que o modelo é removido automaticamente se o dispositivo não possuir recursos suficientes, como CPU, RAM ou espaço de armazenamento. “Em fevereiro, começamos a permitir que os usuários desativem e removam o modelo diretamente nas configurações do Chrome. Uma vez desativado, o modelo não será mais baixado ou atualizado”, afirmou o representante em maio de 2026.

No entanto, críticos questionam por que esse modelo foi instalado sem aviso prévio, inclusive em dispositivos que não utilizaram as ferramentas de IA.

Por que a prática preocupa

  • Consumo de armazenamento: 4 GB ocupados sem aviso geram transtornos, principalmente em laptops e tablets com SSDs limitados.
  • Privacidade dos dados: a instalação ocorre de forma não transparente, sem explicar como os modelos processam as informações.
  • Impacto ambiental: downloads constantes e uso adicional de espaço em disco aumentam o consumo de energia e podem levar ao descarte prematuro de dispositivos.
  • Potencial violação de leis: No Brasil e na Europa, o download não autorizado de software pode ser considerado uma infração à LGPD e ao GDPR.

O que especialistas apontam

Para Alexander Hanff, cientista da computação e advogado, o modelo funciona como uma “armazenagem invisível dos custos da IA”. “O usuário arca com o custo de armazenamento (4 GB no disco, além da banda de download silenciosa). A experiência de IA mais visível — o Modo IA na barra de endereços — não se beneficia do modelo local, pois as consultas continuam a ser enviadas aos servidores do Google”, analisa Hanff.

Além disso, professores de direito digital alertam que a prática diminui a capacidade de escolha do consumidor e cria precedentes para a distribuição de software sem consentimento explícito.

Próximos passos

A Comissão Europeia ainda não se pronunciou sobre o caso, mas organizações de defesa do consumidor estão preparando ações formais. Enquanto isso, o Google se compromete a acompanhar o feedback e melhorar as opções de controle de privacidade.

Enquanto isso, os usuários devem revisar as configurações avançadas do Chrome ou considerar navegadores alternativos para manter o controle sobre o espaço de armazenamento e a segurança de seus dados.

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