Negócios

Franqueador conta seus erros e acertos de mais de 20 anos

Escrito por Vinnícius Lopes

Até os 8 anos de idade, Elídio Biazini trabalhou na roça de café com seus pais no interior de São Paulo. Fugindo da seca na década de 60, veio para a capital, mesmo pequeno, ele deu um jeito de vender sorvetes nas ruas do bairro para juntar uns trocados. Mais tarde, aos 12 anos, conseguiu um emprego em uma padaria e um ano depois, foi trabalhar como lavador de carros – emprego onde evoluiu até virar manobrista. Aos 17 anos, Biazini se tornou office boy de um escritório de advocacia e, de lá, foi contratado numa empresa multinacional. Somente aos 35 anos, já casado com dois filhos, conseguiu montar seu primeiro negócio. “Durante toda a minha vida olhava para os empreendimentos dos outros e sonhava em ter o meu”, explica.
A primeira pizzaria foi aberta em 1993 no bairro da Lapa – SP. A escolha pelo setor se deu por um desejo de profissionalizar as pizzarias delivery que via por aí. “Minha irmã tinha uma pizzaria na época e eu vi que eu poderia fazer aquele negócio melhorar muito. Investi em processos, treinamento de pessoas e tudo o que pudesse criar um padrão de qualidade para o delivery de pizzas”, diz Biazini.
Quando a empresa iniciou a expansão com a venda de franquias, vieram os grandes erros e também muito sucesso. O empresário lista alguns deles:
Erros:
Não busquei informações mais detalhadas sobre o negócio e, por isso, foram várias ações trabalhistas, fiscalizações da Anvisa, prefeitura entre outras.

Como franqueador, um dos grandes erros que cometi no início foi vender unidades para os amigos e, assim, misturar as coisas. Perdi amizades e negócios.

Outro grande erro era achar que eu conhecia tudo e que jamais a tecnologia seria minha aliada, mesmo com formação na área. Era preso a tradições e conceitos que nem sempre são as melhores soluções e que, muitas vezes, te impedem de evoluir, produzir e faturar mais. Um exemplo disso são os fornos à lenha, que foram substituídos por fornos de alta tecnologia para otimizar as entregas e conseguir padronização e melhoria na qualidade.

Também errei ao acreditar muito que funcionários antigos seriam a melhor solução, mesmo quando eles já não rendiam mais tão bem. Eu não tinha o costume de renovar a equipe.

Acertos:
Acertei quando assumi que eu não tinha todas as informações e contratei especialistas e consultorias para me auxiliar em todos os setores do negócio que eu ainda não dominava. Eu sabia fazer pizza e achava que sabia tudo. Uma teimosia que perdi e aprendi a me cercar de bons profissionais especialistas no que eu preciso.

Também aprendi a me render à tecnologia. Por muito tempo, eu não acreditei que novas tecnologias poderiam me ajudar no negócio. Hoje, na Dídio Pizza, depois da farinha e da mussarela, a tecnologia é o mais importante. Nos últimos tempos, temos focado mais nisso, em agregar mais e mais tecnologia aos nossos processos, melhorando muito nossos serviços. E eu não me refiro somente aos equipamentos, máquinas e fornos, mas também à melhoria de processos e gestão, utilizando coisas novas.

Outro grande acerto é investir cada vez mais em pessoas e em gestão. Lembra dos especialistas? Nós trouxemos a ferramenta “PI”, que nos apoia, trazendo para o negócio profissionais com perfil certo para cada função e também buscamos franqueados com perfil para nosso negócio. Continuaremos sempre em busca da melhoria de nossos processos, entendendo melhor o comportamento das pessoas.

Hoje a Dídio Pizza é considerada uma das redes unicamente delivery mais profissionais do mercado e a franquia só tem bons exemplos de empresários que aderiram e multiplicaram o sucesso de Elídio Biazini. Já são 26 lojas em operação e uma venda anual de 600 mil pizzas, com um faturamento de R$ 30 milhões.

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Sobre o Autor

Vinnícius Lopes