A sensação de ser invisível, de passar despercebido em meio à rotina, é mais comum do que se imagina. Essa realidade pode impactar a autoestima e o bem-estar de muitos indivíduos, criando um ciclo de isolamento social. A jornalista Jennifer Breheny Wallace, em seu livro “Mattering”, aborda essa questão, ressaltando a importância de se sentir valorizado nas interações diárias.
Wallace define essa percepção como uma lacuna: a diferença entre como nos sentimos em relação ao nosso valor e o quanto realmente somos valorizados pelos outros. Segundo ela, estamos enfrentando uma “epidemia de solidão”. Quando alguém se sente insignificante, tende a se recolher e se afastar das relações sociais. Essa desconexão pode agravar problemas de saúde mental e intensificar a solidão coletiva.
A autora destaca que essa dinâmica de importância é mútua. A boa notícia é que a valorização pode ser tanto recebida quanto oferecida. Para reduzir essa lacuna, Wallace sugere algumas práticas simples que ajudam a fortalecer o sentimento de pertencimento e reconhecimento. Uma delas é fazer um registro diário de pequenos gestos que impactaram a vida de alguém. Essa autoconsciência pode contribuir para solidificar a percepção interna de nosso próprio valor.
Outra técnica proposta é a criação de um “arquivo de impacto”. Essa ferramenta consiste em reunir anotações, cartões de agradecimento e mensagens positivas que recebemos ao longo do tempo. Esses objetos servem como lembretes tangíveis do impacto que tivemos na vida das pessoas. Tal prática pode ser especialmente útil em momentos de crise pessoal, quando a dúvida sobre nosso valor fica mais intensa.
Wallace também defende um estilo mais específico de agradecimento. Em vez de reconhecer apenas o presente recebido, é fundamental mencionar o que na pessoa motivou aquele gesto. Para exemplificar, ao invés de um simples “obrigado pela blusa”, um agradecimento mais significativo poderia ser: “obrigada por ser a amiga que realmente me entende”. Isso não apenas eleva a valorização do outro, mas também reforça a conexão.
Além disso, a construção de espaços significativos na comunidade é essencial. Esses locais, como uma cafeteria ou um parque, se tornam oportunidades para interagir e ser notado. Wallace sugere que, ao criar uma rotina frequente nessas áreas, as pessoas começam a notar sua presença e a perguntar sobre você. Esse reconhecimento simbólico é importante para qualquer um que busque se sentir incluído.
Um relato de Wallace sobre seu pai ilustra bem essa ideia. Após se aposentar, ele passou a frequentar semanalmente o mesmo restaurante, interagindo genuinamente com os funcionários. Quando precisou se afastar, sua ausência foi notada, e ao retornar, recebeu um cartão de condolências. Esse exemplo mostra como o simples ato de tratar as pessoas como seres humanos pode gerar um impacto significativo na percepção de nosso valor social.
Por fim, Wallace propõe um exercício mental para cultivar a empatia nas interações cotidianas. Ela sugere que imaginemos que todos ao nosso redor carregam uma placa invisível perguntando: “Diga-me, eu importo?” A resposta a essa pergunta deve ser busca durante pequenos momentos do dia. Essa prática de atenção e valorização não só reforça a importância do outro, mas também nos lembra que somos igualmente valiosos e capazes de criar diferença nas vidas alheias.
Crédito da imagem: divulgação/reprodução

