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Estudo das Universidades de Cambridge e Oxford apresentam cura de segundo paciente com AIDS através do transplante de células-tronco

O vírus HIV, causador da AIDS foi novamente eliminado de um ser humano, é o que aponta um estudo de procedimentos realizados através de uma pesquisa conjunta entre as Universidades de Cambridge e Oxford, e pesquisadores da “UCL” e do Imperial College London.

Desses procedimentos, o transplante de células-tronco foi fundamental para a remissão do vírus. Os exames do paciente relataram ausência do vírus HIV em seu sangue e demais amostras, como esperma. O primeiro caso, em 2011, nomeado de “Paciente de Berlim”, foi o primeiro caso de cursa de AIDS no mundo.

“Paciente de Londres” é o nome dado para o caso em questão. Segundo os pesquisadores, foram efetuados “testes em um número considerável de lugares onde o vírus gosta de se esconder e praticamente tudo deu negativo”.

A complexidade para a cura do HIV em escala global

Ainda segundo os pesquisadores, é muito difícil encontrar a cura para a AIDS em escala global. “É particularmente difícil porque o vírus se integra aos glóbulos brancos de seu hospedeiro”, isto significa que bilhões de células podem ser infectadas pelos resquícios do vírus.

Neste estudo, foram encontrados alguns desses resquícios no paciente que passou pelo procedimento. No entanto, “estes seriam resquícios ‘fósseis’, incapazes de reproduzir o vírus.”.

A cura através do transplante com células-tronco

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Imagem: Reprodução Pixabay – Células tronco

Publicado na revista Nature, nesta semana, o estudo afirma que o procedimento é complicado, por que há cerca de 10% de chance de sobrevivência no transplante de células-tronco.

Não é um procedimento que todos podem realizar. Há dezenas de fatores que contribuem para que o procedimento seja um sucesso.

“No momento, a única maneira de tratar o HIV é com medicamentos que suprimem o vírus, que as pessoas precisam tomar durante toda a vida, apresentando um desafio particular nos países em desenvolvimento”, disse o principal autor do estudo, Professor Ravindra Gupta, da Universidade de Cambridge, que liderou o estudo enquanto estava na UCL.

O paciente em questão, é um homem britânico. Ele já fazia tratamento contra o vírus HIV, com remédios. Ele contraiu a doença de Hodgkin devido ao vírus da AIDS. Além da quimioterapia, em 2016, ele foi submetido a um transplante de células-tronco hematopoiéticas de um doador com duas cópias da mutação genética (ou ‘alelo’) que impede a expressão do CCR5.

O CCR5 é o receptor mais usado pelo HIV-1, o tipo mais comum e mais nocivo de HIV. As pessoas que têm duas cópias mutadas do alelo CCR5 são resistentes à cepa do vírus HIV-1 que usa esse receptor, pois o vírus não pode entrar nas células hospedeiras.

A quimioterapia pode ser eficaz contra o HIV, pois mata as células que estão se dividindo. Substituir células imunes por aquelas que não possuem o receptor CCR5 parece ser a chave para impedir que o HIV se recupere após o tratamento.

No caso deste homem, foram 18 meses com o tratamento convencional da AIDS após a realização e recuperação do transplante. Depois deste tempo, tanto ele, quanto os médicos decidiram parar com o tratamento da doença para verificar se o paciente estava com o vírus HIV.

A pesquisa foi financiada pelo Wellcome, o Conselho de Pesquisa Médica, a Fundação para a Pesquisa da Aids e os Centros de Pesquisa Biomédica do Instituto Nacional de Pesquisa em Saúde (NIHR) dos hospitais da University College London, Oxford, Cambridge e Imperial.

A equipe de pesquisa está apresentando os resultados nesta terça-feira (10), na Conferência anual sobre retrovírus e infecções oportunistas (CROI) em Seattle, Washington, EUA.