A frota de veículos plug-in no Brasil ultrapassa a marca de 410 mil unidades, com um impressionante crescimento de 44% nas vendas projetadas para 2025. Esse avanço é impulsionado pela expansão da infraestrutura de recarga, que teve um aumento expressivo de 167% em um ano. Contudo, para garantir a sustentabilidade e o futuro desse mercado, é essencial uma série de regulamentações que abordem reparos, diagnósticos padronizados de baterias e a qualificação profissional para trabalhar com sistemas de alta tensão.
A Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) revela que, até dezembro de 2025, os veículos eletrificados respondem por 13% das vendas de veículos leves no país. Tal crescimento é respaldado por uma rede de recarga que já conta com 21 mil eletropostos, permitindo uma relação de cerca de 20 veículos por ponto de carga, o que favorece a experiência dos motoristas e a adoção dessa tecnologia.
O Índice de Mobilidade do Consumidor (MCI) aponta que o otimismo dos consumidores está ligado à evolução da autonomia das baterias e ao custo total de propriedade (TCO) cada vez mais competitivo. No entanto, o mercado também observa com cautela as experiências em regiões como Europa e Estados Unidos, onde a desvalorização de veículos usados eletrificados tem sido um desafio, devido à rápida evolução tecnológica e à constante redução de preços de modelos novos.
Um dos principais desafios do Brasil a longo prazo é a padronização da cadeia de reparo, além do treinamento especializado da mão de obra. As manutenções desses veículos precisam de conhecimentos específicos que envolvem sistemas de alta tensão, eletrônica de potência e protocolos de segurança rigorosos. Apesar da ABNT ter lançado a prática recomendada 1025, a falta de uma norma técnica obrigatória ainda causa disparidades nos procedimentos adotados nas oficinas.
A formação profissional deve ser ampliada, incluindo não apenas mecânicos, mas também equipes de segurança pública, para que estejam aptas a atuar em acidentes envolvendo risco elétrico. Um ponto crítico para a manutenção está relacionado às baterias, que constituem o maior ativo dos veículos e carecem de uma regulamentação nacional para recondicionamento. Atualmente, o setor segue diretrizes internacionais, como a IEC 62660, IEC 62133 e a ISO 26262, essencial para garantir a confiabilidade após intervenções técnicas.
Adicionalmente, a avaliação precisa da Saúde da Bateria (SoH) é fundamental, pois a capacidade residual em relação ao estado de fábrica impacta diretamente a valorização de veículos usados. Fatores como uso excessivo de carregadores ultrarrápidos, exposição a calor intenso e padrões inadequados de carga podem reduzir a vida útil das baterias.
Dado que a bateria pode representar entre 30% e 50% do valor total do veículo, a transparência sobre seu estado é crucial para evitar riscos financeiros significativos. Especialistas têm questionado a dependência exclusiva do diagnóstico do BMS (Battery Management System) da montadora, apontando a necessidade de certificações independentes que proporcionem laudos rastreáveis.
A segurança e o crescimento sustentável da frota de veículos elétricos dependem da criação de um ecossistema robusto para manutenção, avaliação e reuso de componentes. É vital que a infraestrutura de suporte avance na mesma velocidade que a frota, garantindo que todo o ciclo de vida dos veículos elétricos esteja efetivamente assistido em território nacional. Assim, a eletromobilidade, que está se expandindo, requer uma cadeia de reparação e avaliação madura para assegurar sua sustentabilidade e segurança no futuro.
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