O impacto das bicicletas elétricas, conhecidas como e-bikes, pode ser significativo na redução das emissões de CO₂ nas cidades. Um estudo da Universidade de Münster, na Alemanha, aponta que o uso desse modal pode levar a uma diminuição média de 526,9 kg de CO₂ por pessoa ao ano. Este dado ressalta a relevância das e-bikes como uma alternativa sustentável no transporte urbano, especialmente frente aos desafios das mudanças climáticas.
Conforme a pesquisa do Instituto de Economia dos Transportes Münster, a principal contribuição para essa redução se dá pela substituição de viagens realizadas de carro e moto, os maiores responsáveis pela poluição nas áreas urbanas. Esse fenômeno não é apenas uma visão teórica, visto que atualmente existem mais de 150 milhões de bicicletas elétricas em uso no mundo, com forte presença na Ásia-Pacífico, especialmente na China, e expansão notável na Europa.
No Brasil, o cenário é promissor. Segundo a Associação Brasileira do Setor de Bicicletas, as vendas de e-bikes têm apresentado um crescimento contínuo, refletindo uma mudança nos hábitos de mobilidade urbana. Para especialistas, o sucesso das bicicletas elétricas na redução das emissões de poluentes é evidente. Elas têm a capacidade de substituir o uso de carros e motos em muitos deslocamentos diários, além de não emitirem CO₂ durante o uso e consumirem pouca energia. Um estudo do LabMob/UFRJ revela que cada bicicleta da Lev evita, em média, cerca de 0,39 tonelada de CO₂ por ano.
Esse movimento em direção às e-bikes também indica uma transformação no comportamento dos usuários urbanos. Atualmente, a maioria dos ciclistas no Brasil é composta por adultos entre 30 e 59 anos, especialmente em grandes cidades como São Paulo e Rio de Janeiro. Antes vistas como uma opção de lazer, as e-bikes agora estão sendo utilizadas para atividades cotidianas como trabalho, estudo e compromissos. A inclusão de um público feminino crescente também revela uma diversificação das pessoas que optam por esse meio de transporte.
Contudo, o crescimento do uso de e-bikes enfrenta um desafio crucial: a infraestrutura urbana. Onde existem ciclovias seguras e conectadas, o uso dessas bicicletas tende a aumentar. Em contrapartida, a falta de infraestrutura adequada limita o potencial de expansão. “Muitas pessoas desejam adotar essa alternativa, mas a insegurança ainda é um fator desmotivador”, observa Anna Luiza Sá, Coordenadora de Compras e Especialista em ESG da Lev.
O estudo da Universidade de Münster ainda aponta que a aquisição de uma e-bike pode resultar em mudanças permanentes no comportamento dos usuários, que, ao adotá-las, substituem viagens antes realizadas de carro ou por aplicativos de transporte. Para que essa tendência se amplie no Brasil, Anna Luiza destaca três fatores essenciais:
1. Expansão da infraestrutura cicloviária.
2. Incentivos públicos para a adoção da mobilidade ativa.
3. Maior acessibilidade a modelos de e-bikes mais econômicos.
A implementação de políticas públicas que promovam o incentivo ao uso de bicicletas elétricas, somada à expansão das ciclovias e à diversidade de produtos disponíveis, tem o potencial de transformar a dinâmica de mobilidade nas cidades brasileiras. As e-bikes podem não apenas reduzir as emissões de poluentes, mas também remodelar a forma como os brasileiros se deslocam, proporcionando uma alternativa mais sustentável e prática para o cotidiano urbano.
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