A camada de protocolo da web “agentic” está se dividindo em duas apostas distintas, e muitas empresas já posicionaram suas fichas sem perceber. De um lado, a identidade, representada por um arquivo chamado llms.txt, que informa aos modelos de IA quem você é e sobre o que seu conteúdo trata. Do outro, a capacidade, que é um padrão de navegador conhecido como WebMCP, o qual informa a um agente como ele pode interagir com seu site. Essa distinção é crucial, pois define onde os esforços das empresas deverão ser direcionados no próximo ano. Enquanto uma dessas apostas é ativada por padrão em muitos sites, a outra requer um trabalho deliberado para ser implementada.
Um agente que visita seu site possui duas perguntas principais: primeiro, o que é este lugar e o que ele cobre? Em seguida, como ele completa a tarefa para a qual foi enviado. O conceito de identidade se resume ao llms.txt, um arquivo de texto que deve ser publicado na raiz do seu domínio, mapeando quem você é e quais são suas páginas mais relevantes. Já o padrão WebMCP permite que seu site registre ferramentas que um agente pode invocar, facilitando operações como busca e reservas por meio de funções presetadas, em vez de deixar que o agente tenha que adivinhar.
O arquivo llms.txt foi proposto como uma maneira de fornecer aos modelos de linguagem uma indexação limpa do seu conteúdo, evitando que eles tenham que rastrear e reorganizar informações poluídas por navegação ou anúncios. Entretanto, a evidência de sua eficácia ainda é escassa. Google já indicou que, apesar de sua existência, nenhum sistema de IA o utiliza efetivamente.
Atualmente, muitos sites estão adotando o llms.txt por padrão, frequentemente gerados por plugins sem que os proprietários tenham se atentado para isso. Embora não haja objeções a manter um arquivo bem estruturado, a questão do padrão ativado automaticamente preocupa, pois muitos o têm como centro de sua estratégia de agentes, sem um entendimento claro de sua utilidade.
Por outro lado, o WebMCP é uma aposta mais robusta. Ele possibilita que seu site comunique diretamente suas capacidades, informando quais ações estão disponíveis e quais dados são necessários. Essa abordagem é mais eficiente, pois oferece respostas diretas, em vez de depender da interpretação do agente.
É importante notar que a distinção entre identidade e capacidade é relevante, especialmente agora que a navegação automatizada está crescendo. Dados recentes mostram que o tráfego automatizado já superou o humano, tornando a capacidade a questão central. Um agente que não consiga executar a tarefa solicitada pode frustrar usuários.
Muitos profissionais de marketing precisam avaliar seus sites. Primeiro, confiram se o llms.txt foi gerado automaticamente — se sim, analisem se ele realmente descreve com precisão o site. Em segundo lugar, considerem a implementação do padrão WebMCP caso exista a necessidade de agentes completarem ações diretamente no site, como consultas de preços ou reservas.
A mensagem final é clara: enquanto o arquivo llms.txt pode parecer uma resposta rápida às demandas de identidade, o foco real deve estar na capacidade. Um site bem-sucedido deve integrar as funcionalidades do WebMCP antes de se preocupar com uma descrição que nem todos os sistemas de IA estão utilizando. É essencial gerar o arquivo de identidade a partir do próprio conteúdo, se for mantido, e garantir que ele esteja sempre atualizado.
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