O Brasil possui um vasto potencial para se destacar na economia da natureza, contando com uma biodiversidade rica, uma matriz energética limpa e um setor agroindustrial relevante. No entanto, o mercado brasileiro ainda enfrenta desafios estruturais, limitando seu crescimento e a atração de investimentos significativos.
Atualmente, o setor de Soluções Baseadas na Natureza (SbN) opera de forma fragmentada, resultando em ausência de padronização na linguagem e em métricas diversas, além de instrumentos financeiros que não se ajustam às realidades dos territórios. Um estudo recente revelou que a falta de coordenação entre desenvolvedores de projetos, investidores, empresas e formuladores de políticas públicas é uma das principais barreiras que impedem a escalabilidade e o financiamento de iniciativas de conservação e bioeconomia.
A pesquisa analisou mais de 2.150 organizações e categoriza o mercado de SbN em dez segmentos estratégicos, trazendo uma nova perspectiva econômica para o setor.
Entre os segmentos com alto nível de integração, destacam-se a conservação e restauração florestal, a sociobioeconomia, a economia azul e a infraestrutura verde. Já os segmentos que dependem de um impacto positivo comprovado incluem a restauração produtiva e a agricultura regenerativa. Outras áreas, como bioinsumos, biotecnologia e biomassa, interagem com a economia da natureza. Além disso, as Nature Techs são identificadas como essenciais para fortalecer a integridade dos segmentos.
Dados recentes indicam que o mercado de SbN no Brasil atraiu investimentos de US$ 2,1 bilhões entre 2023 e 2024. Espera-se que os investidores direcionem mais US$ 10,4 bilhões até 2027 e US$ 18,8 bilhões até 2030. Contudo, os números representam mais um sinal de interesse do que uma estimativa exata do tamanho do mercado.
Para acelerar o desenvolvimento do setor, o estudo sugere cinco frentes essenciais: a criação de uma infraestrutura nacional para projetos, o fortalecimento de plataformas territoriais, a melhoria na disponibilidade de dados, a inovação financeira e a formulação de políticas públicas que incentivem a demanda e a segurança regulatória. Essas medidas podem reduzir custos de transação, facilitar o acesso a instrumentos financeiros e aumentar a confiança dos investidores.
A pesquisa também aponta que o avanço das SbN dependerá da sua conexão com mercados consolidados, como agropecuária e energia renovável. Essa integração pode abrir novas oportunidades de contratos e fortalecer a demanda por ativos e soluções climáticas.
De acordo com um dos especialistas envolvidos, o Brasil dispõe dos recursos naturais, da capacidade técnica e da vontade de investimento, sendo fundamental organizar esses elementos para que o mercado ganhe escala. Para facilitar esse processo, é necessário desenvolver uma infraestrutura de mercado que inclua dados, instrumentos financeiros e políticas públicas eficazes.
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