O Rio Tietê, um dos principais rios do estado de São Paulo, apresenta um cenário alarmante de contaminação, revelado no recente Relatório da Expedição Tietê 2025. Este levantamento, realizado pela Fundação SOS Mata Atlântica em parceria com diversas instituições de pesquisa, denunciou que não há nenhum trecho do rio livre de poluentes, evidenciando a gravidade da situação ambiental na região.
A expedição percorreu mais de 1.100 quilômetros do Tietê, desde a nascente em Salesópolis até a foz no Paraná, e encontrou microplásticos em todas as amostras analisadas. Além disso, foram detectados 25 tipos de agrotóxicos e 16 substâncias farmacológicas, incluindo drogas ilícitas como a cocaína. Entre os contaminantes químicos, destacam-se compostos como cafeína, diclofenaco, losartana e carbamazepina. Intrigantemente, o cobre foi encontrado acima dos limites legais em todos os pontos monitorados.
Os dados revelam que os reservatórios acumulam entre 10 a 17 vezes mais microplásticos em comparação aos trechos de correnteza, indicando um acúmulo preocupante associado à urbanização e ao uso agrícola do solo. Além disso, a contaminação microbiológica na nascente chegou a apresentar níveis até 40 vezes superiores ao permitido para rios considerados de boa qualidade.
A contaminação do Tietê é um reflexo das múltiplas pressões ambientais que agem simultaneamente na bacia hidrográfica. Segundo Gustavo Veronesi, coordenador da causa Água Limpa na SOS Mata Atlântica, esses resultados exigem “uma análise integrada,” já que os achados não são isolados, mas indicativos de um problema abrangente, envolvendo esgoto, resíduos plásticos e práticas agrícolas inadequadas. Para a recuperação do rio, Veronesi ressalta a necessidade de uma abordagem coordenada que una governo, municípios, indústrias e a sociedade civil.
Os microplásticos, que variaram de 330 a 23.587 partículas por metro cúbico, têm como fontes principais os efluentes domésticos e industriais, o descarte inadequado de resíduos e a lavagem de roupas sintéticas. A presença de altos níveis de contaminantes químicos no Tietê não se restringe às áreas urbanas, com 25 tipos de agrotóxicos encontrados, incluindo a atrazina, um herbicida proibido na União Europeia.
As análises também mostraram concentrações elevadas de metais pesados, como cobre e alumínio, que, em excesso, podem prejudicar a vida aquática. A presença excessiva de matéria orgânica, resultante do esgoto não tratado, tem impacto direto na oxigenação da água, tornando-a ainda mais prejudicial aos ecossistemas aquáticos.
Os contaminantes presentes no Tietê são um reflexo dos hábitos de consumo da população e das condições sanitárias da região. As amostras coletadas revelaram a presença de bactérias fecais e outros patógenos, confirmando a gravidade da poluição. Segundo Malu Ribeiro, diretora de Políticas Públicas da SOS Mata Atlântica, os dados coletados são fundamentais para a elaboração de políticas públicas e ações efetivas de recuperação.
O relatório da expedição, realizado de 9 a 14 de junho de 2025, representa uma abordagem pioneira no Brasil, conectando diversas influências e contaminantes ambientais. Os resultados serão essenciais para guiar as futuras políticas de saneamento e monitoramento da água no estado de São Paulo.
A deputada Marina Helou destaca a urgência de tratamento do Tietê como um patrimônio coletivo dos paulistas, sublinhando que não existem soluções simples para resolver sua poluição. Um conjunto de medidas integradas em saneamento, fiscalização e monitoramento contínuo se faz imprescindível para restaurar a qualidade do rio, que percorre uma vasta área do estado.
A situação do Rio Tietê é um lembrete contundente sobre os desafios que a sociedade enfrenta em relação à gestão da água e à preservação dos ecossistemas. A continuidade das ações de monitoramento e a implementação de políticas efetivas são cruciais para reverter esse cenário e garantir a saúde ambiental das futuras gerações.
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