A pressão da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) sobre o Governo Federal pode impactar diretamente o mercado automotivo brasileiro. A entidade chamou atenção para o cumprimento do cronograma de reajuste das alíquotas de importação de veículos elétricos e híbridos, além de solicitar o fim das isenções para kits de montagem de veículos, conhecidos como SKD e CKD. Essa discussão ganha força em um momento crítico, com uma reunião da Câmara de Comércio Exterior (Camex) marcada para breve.
A BYD, montadora chinesa, vem defendendo a revogação da limitação das cotas tarifárias zeradas, que expirou em janeiro. Além disso, busca o adiamento do aumento da alíquota de importação, que deverá retornar a 35% em julho. Segundo reportagens, a empresa argumenta que precisa dessa isenção para importar componentes da China e concluir a montagem dos veículos em sua fábrica na Bahia.
A Anfavea, por outro lado, ressalta que a mudança nas regras poderia pôr em risco os investimentos já realizados e a previsibilidade para o setor. A associação enfatiza a importância de manter as normas que foram acordadas em 2023, garantindo um ambiente seguro para os investimentos bilionários que chegam ao Brasil.
Embora a Anfavea reconheça que a concorrência aumentou com a entrada de novas marcas — 11 apenas no primeiro trimestre de 2026, com um crescimento de 214% nos emplacamentos de veículos importados entre 2023 e 2025 —, a realidade dos estoques é preocupante. Com a proximidade do aumento da alíquota, as concessionárias enfrentam uma situação delicada, com estoques que atingiram 150 dias.
Além disso, análises da Anfavea apontam para um possível cenário alarmante caso a produção por meio de kits importados continue sem a devida tributação. As projeções incluem até R$ 96,8 bilhões em vendas perdidas para o setor de autopeças local, R$ 24,3 bilhões em impostos que deixariam de ser arrecadados pelo governo e 259 mil empregos em risco, sendo 68 mil diretos e 191 mil ao longo da cadeia produtiva.
Em resposta a esses desafios, as montadoras tradicionais pretendem investir R$ 140 bilhões até 2033 em eletrificação e descarbonização. Em 2025, modelos eletrificados fabricados no Brasil representavam 26% das vendas, e essa porcentagem aumentou para 40% em 2026, demonstrando que a transição energética é uma realidade em andamento.
A Anfavea argumenta que, embora os kits importados sejam válidos nas fases iniciais de instalação de novas fábricas, é essencial que haja evolução para a nacionalização dos componentes. Em relação à próxima reunião da Camex, a posição do setor é clara: não aceitarão concessões. As montadoras defendem um fim definitivo das cotas de alíquota zero, além de requerer um diálogo prévio para qualquer mudança regulatória que impacte os investimentos já realizados no país. Essa discussão será fundamental para o futuro da indústria automotiva no Brasil.
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