A energia geotérmica está ganhando nova vida na Alemanha, com a cidade de Geretsried se preparando para testar um sistema inovador que pode transformar a matriz energética local. A abordagem da empresa canadense Eavor, que está iniciando a construção de sua primeira usina comercial na cidade, promete extrair calor diretamente de rochas profundas, utilizando técnicas de perfuração avançadas já aplicadas na indústria de petróleo e gás. Este projeto não apenas vislumbra uma alternativa ao gás natural, mas também pode provocar mudanças significativas na transição energética da região.
Historicamente, a energia geotérmica tem pertencido a um nicho em energias renováveis, concentrando-se em poucos países. Contudo, com novas tecnologias que permitem perfurações a mais de 3 quilômetros de profundidade, a Agência Internacional de Energia (IEA) aponta que praticamente todas as nações poderiam ter acesso a esse recurso. Fatih Birol, diretor executivo da IEA, afirma que a energia geotérmica poderá ampliar seu papel no cenário energético global de forma acelerada. A Alemanha, em particular, busca alternativas eficientes à sua dependência de combustíveis fósseis, especialmente após a crise do gás natural provocada pela invasão russa da Ucrânia.
O sistema desenvolvido pela Eavor, conhecido como “Eavor Loop”, difere das usinas geotérmicas convencionais que exploram reservatórios de água quente. Em vez disso, a empresa perfura dois poços profundos, cada um com cerca de 4 quilômetros. Através de uma rede de poços laterais, o sistema maximiza a extração de calor das rochas circundantes. A água é aquecida ao passar pelo circuito, retornando à superfície, onde pode ser utilizada para aquecimento urbano ou convertida em eletricidade. Essa técnica, que evita o uso de fraturamento hidráulico, é considerada mais segura para o meio ambiente.
O projeto em Geretsried contará com quatro circuitos que incluirão vários poços verticais e laterais. Se essa tecnologia se mostrar eficaz, pode ser replicada em outras cidades ao redor do mundo. Embora o aquecimento urbano já seja uma prática comum na Europa, servindo 67 milhões de pessoas em aproximadamente 17.000 redes, a maior parte ainda é alimentada por combustíveis fósseis. Portanto, a transição para a energia geotérmica poderia resultar em uma redução significativa nas emissões de gás de efeito estufa.
A Eavor já está expandindo suas operações. Além do projeto em Geretsried, a empresa assegurou um contrato de aquecimento em Hanover, que busca eliminar gradualmente o uso de carvão. O potencial geotérmico também é reconhecido no Japão, onde a Chubu Electric Power Company investiu em tecnologias semelhantes. Com essa abordagem, Eavor não somente busca provar que a energia geotérmica pode ser uma solução viável e acessível, mas também prepara o terreno para o futuro energético de cidades que já reconhecem a necessidade de alternativas sustentáveis.
A visão do prefeito de Geretsried, Michael Müller, reflete a urgência e a importância dessa transição: “Queremos estar preparados para o futuro, então, vamos começar a construí-lo”. Em um momento em que as cidades do mundo estão buscando soluções contra as emissões e mudando suas matrizes energéticas, a experiência de Geretsried pode ser um modelo inspirador.
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