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Samsung e GM pausam fábrica de baterias de US$ 3,5 bi nos EUA após demanda fraca por elétricos – TecStudio

Um dos maiores acordos da indústria de carros elétricos dos últimos anos entrou em modo de espera. A Samsung SDI, divisão de baterias da gigante sul-coreana, e a montadora americana General Motors (GM) decidiram pausar o projeto de uma fábrica de US$ 3,5 bilhões (R$ 17,7 bi) nos Estados Unidos. A decisão, confirmada por autoridades locais, reflete uma revisão de estratégia da GM diante de uma demanda por veículos elétricos mais fraca do que o esperado.

A informação foi divulgada pelo jornal sul-coreano Korea JoongAng Daily, que citou um porta-voz da Corporação de Desenvolvimento Econômico de Indiana. “O projeto está sendo pausado”, afirmou o representante, em referência ao acordo bilionário. O plano original, anunciado em agosto de 2024, previa a construção de uma fábrica no estado de Indiana para produzir baterias para os futuros carros elétricos da GM.

O que levou à pausa do acordo bilionário

Segundo o relatório, a decisão foi motivada por uma demanda por veículos elétricos mais branda do que as projeções iniciais. Esse cenário é atribuído, em parte, a mudanças nos incentivos governamentais para a compra de carros elétricos nos Estados Unidos. Com a venda de elétricos desacelerando, a GM está reavaliando seus investimentos agressivos no setor. A montadora já havia se desvinculado de uma joint venture semelhante com a LG Energy Solution no ano passado.

O projeto pausado era ambicioso. A fábrica deveria iniciar a produção em massa no outono americano de 2027, com capacidade para fabricar 36 GWh de baterias por ano. Esse volume seria suficiente para equipar cerca de 300 mil veículos elétricos anualmente. Com a pausa, esse cronograma está agora indefinidamente adiado.

Quais são as opções em discussão

O jornal sul-coreano aponta que há mais de uma possibilidade sobre a mesa para o futuro do acordo. Uma delas é uma mudança na química das baterias planejadas. A fábrica poderia passar a produzir baterias do tipo LFP (fosfato de ferro e lítio), uma tecnologia que vem ganhando preferência entre diversas montadoras por ser geralmente mais barata e estável.

A outra opção, mais radical, seria a retirada total da General Motors da joint venture, seguindo o mesmo caminho da parceria com a LG. A decisão final ainda não foi tomada, e as empresas não comentaram publicamente os próximos passos. Enquanto isso, a Samsung segue focada em outras frentes de seu negócio de tecnologia, como o desenvolvimento de novos chips para seus smartphones de ponta, como o futuro Galaxy S27 Ultra, e o lançamento de novas versões do seu software, a exemplo da One UI 9 em beta para o Galaxy S26.

Impacto no mercado global de elétricos

A pausa no projeto conjunto entre Samsung e GM é um sinal claro dos ventos contrários que sopram sobre a indústria de veículos elétricos. Após anos de otimismo e investimentos recordes, montadoras ao redor do mundo estão desacelerando planos de expansão. O momento serve como um alerta para toda a cadeia de fornecedores, que construiu expectativas em cima de uma adoção mais rápida dos carros elétricos pelos consumidores.

Para a Samsung SDI, a notícia representa um revés em sua estratégia de se tornar um player global de peso no setor de baterias para automóveis, dominado por chineses como a CATL e a BYD. A empresa, no entanto, mantém outros clientes e projetos ativos. A segurança das baterias, aliás, é um tema que sempre preocupa a indústria, como mostrou um incidente isolado envolvendo um Galaxy S24 na Coreia do Sul.

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Enquanto a GM e a Samsung avaliam os próximos passos, a pausa na fábrica de Indiana joga uma luz sobre os desafios práticos da eletrificação em larga escala. O futuro do acordo de US$ 3,5 bilhões agora depende de uma resposta clara para a pergunta que assombra todo o setor: quando, de fato, o consumidor em massa vai abraçar o carro elétrico?

Fonte: SamMobile


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