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A maior competição do iPad é ele mesmo: por que a Apple está perdendo vendas para seus próprios produtos.

A Apple tem liderado o mercado de tablets há anos e, segundo análises recentes, essa posição deve se manter por um bom tempo. No entanto, um problema crescente está surgindo internamente: os novos iPads estão perdendo compradores, não para o Android ou Samsung, mas para versões anteriores do próprio iPad.

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Essa é uma situação incomum para uma empresa famosa por incentivar seus clientes a querer sempre a última versão. Isso levanta uma questão que a Apple precisará enfrentar em algum momento: o que realmente justifica a compra de um novo iPad hoje?

A estagnação que ninguém quer admitir

A linha atual de iPads é, para ser honesto, previsível. O iPad básico tem um preço inicial de R$ 4.499 no Brasil, o iPad mini custa R$ 6.299 e o iPad Air começa em R$ 7.499, mantendo a tradicional tela LCD de 11 polegadas e Touch ID. A única exceção é o iPad Pro com tela OLED, que passou por uma reformulação considerável.

O problema reside especificamente no iPad Air. Este modelo basicamente preservou a mesma proposta desde sua reformulação em 2020, recebendo, ao longo dos anos, apenas atualizações de chip. Por outro lado, modelos mais antigos do iPad Pro com chips M1 e M2 estão disponíveis no Brasil por preços semelhantes — e até mais baixos — na faixa dos R$ 7 mil, oferecendo recursos concretos, como Face ID, tela ProMotion de 120Hz, porta Thunderbolt, sistema de som superior e brilho elevado.

Isso implica que um consumidor disposto a gastar em torno de R$ 7.500 encontra razões reais para escolher um iPad Pro de gerações anteriores ao invés de um novo iPad Air. O argumento de custo-benefício não está a favor do modelo mais recente.

A ameaça que vem de dentro

A concorrência interna vai além dos iPads Pro usados. Com a especulação em torno do “MacBook Neo”, até mesmo o iPad básico de R$ 4.499 enfrenta uma comparação desafiadora. A adição de um teclado compatível — que pode custar R$ 2.999 no caso do Magic Keyboard oficial — eleva o preço total para uma faixa criticamente próxima a de um laptop da Apple, que oferece mais armazenamento e um sistema operacional mais versátil.

Embora não sejam produtos idênticos, a sobreposição de usos é suficiente para fazer o consumidor hesitar.

No segmento do iPad mini, a pressão pode surgir por outro ângulo. Há uma expectativa no mercado de que um futuro iPhone dobrável possa competir diretamente com o mini, atraindo usuários que desejam uma tela maior sem perder a portabilidade. Essa conversa já circula entre analistas e entusiastas da Apple, e o ecossistema integrado da empresa torna essa transição mais natural para quem já está habituado ao iPhone.

O que a Apple precisa fazer

A estagnação do iPad provavelmente não irá direcionar os consumidores para o Android. O que é mais provável é que ela estenda o ciclo de troca: quem possui um iPad Pro adquirido entre 2018 e 2022 não encontra razões claras para fazer uma atualização. E quem está comprando pela primeira vez pode acabar escolhendo um modelo mais antigo, mais acessível e, em muitos casos, tecnicamente superior ao que está sendo vendido como novo.

Algumas mudanças seriam bem-vindas. O iPad Air poderia incorporar uma tela de 120Hz, Face ID e mais armazenamento básico, recursos que já existem em modelos mais caros da própria linha. O teclado do iPad básico, por sua vez, apresenta um custo que não se alinha com a proposta de entrada do tablet.

Para o consumidor brasileiro, a situação é ainda mais complicada. Os preços dos iPads no Brasil já estão significativamente acima dos valores sugeridos em dólar, e qualquer argumento fraco de atualização se torna ainda menos convincente quando a diferença de custo é ampliada pela conversão cambial e pelos impostos de importação. Vale ressaltar que o mercado premium de tablets também está observando movimentos como o do Galaxy Tab S12+, que está em fase de testes e pode reanimar a disputa na faixa de preço mais alta.

Se a Apple deseja manter o ritmo de vendas do iPad, precisará oferecer hardware que justifique a troca, e não apenas um chip novo dentro de um design de quatro anos atrás.

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A Apple ainda tem tempo para corrigir a rota antes que a estagnação se transforme em um problema de vendas mais evidente. O próximo ciclo de lançamentos do iPad será um teste crucial: ou a empresa entrega diferenciais reais, ou confirma que seu maior concorrente continua sendo o iPad.

Fonte: 9to5Mac

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