Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desenvolveram uma nova arquitetura de bateria de fluxo que promete revolucionar o armazenamento de energia gerada por fontes renováveis, como sol e vento. A tecnologia, segundo especialistas, é mais segura, barata e fácil de montar, ampliando o potencial de uso em locais que ainda dependem de geradores a diesel ou em sistemas isolados.
Inovações na arquitetura da bateria
O engenheiro João Pedro Aguiar dos Santos, responsável pelo desenvolvimento durante seu doutorado na Unicamp, propôs um design cilíndrico inédito que difere da estrutura tradicional de baterias de fluxo. Em vez de placas empilhadas que são propensas a vazamentos, a nova bateria possui eletrodos dispostos em anéis, permitindo conexões em série sem a necessidade de empilhamento. Essa inovação reduz riscos de falhas e os custos de montagem.
Outra melhoria significativa é a forma como o eletrólito circula. Utilizando uma turbina interna ao invés de uma bomba externa, o design elimina um dos pontos mais frágeis das baterias de fluxo comuns, tornando o sistema mais robusto e menos suscetível a entupimentos e quebras.
Resultados promissores em testes
Nos testes realizados, a nova bateria atingiu aproximadamente 400 ciclos de carga e descarga sem aditivos, superando outros modelos que normalmente não excedem 100 ciclos devido a problemas de crescimento de dendritos. Com ajustes e a adição de aditivos, estima-se que a bateria possa alcançar até 3 mil ciclos. Além disso, a eficiência de carga da bateria foi de 98%, enquanto a eficiência total de energia ficou em cerca de 82%, números considerados elevado para esta tecnologia.
Recursos e sustentabilidade
Um dos importantes diferenciais da tecnologia é a utilização de insumos que são facilmente encontrados no Brasil, como grafite e eletrólitos à base de água, que não são inflamáveis. A bateria também emprega um design que facilita a reciclagem dos materiais, aproveitando a já estabelecida cadeia de recuperação de chumbo no país. Isso representa um avanço significativo em relação às tradicionais baterias de chumbo-ácido, que apresentam limites severos em sua durabilidade e eficiência.
Aplicações e impacto no mercado de energia
A bateria foi pensada para aplicações de armazenamento estacionário em larga escala, com potencial para conectar-se a usinas solares e eólicas. Isso possibilita armazenar energia durante períodos de alta geração e utilizá-la em momentos de maior demanda, aumentando a flexibilidade e segurança do sistema elétrico. Essa solução é especialmente relevante no contexto do Leilão de Reserva de Capacidade para sistemas de armazenamento, promovendo uma alternativa viável frente aos desafios da dependência de geradores a diesel, que têm uma eficiência abaixo de 40% e emitem altos níveis de dióxido de carbono.
A nova tecnologia ainda precisa ser licenciada para entrar no mercado, e a Agência de Inovação Inova Unicamp está facilitando conexões entre pesquisadores e potenciais parceiros de negócios. Os interessados podem acessar um formulário de conexão disponível no site da Agência.

