A compostagem é uma prática essencial que não só contribui para a redução de resíduos, mas também transforma o lixo orgânico em um recurso valioso. Em um cenário em que 97% dos resíduos orgânicos no Brasil ainda são enviados a aterros sanitários, iniciativas que incentivam a compostagem merecem atenção. Conhecer opções como a Lei de Incentivo à Reciclagem pode ser o primeiro passo para uma mudança significativa na gestão dos resíduos domésticos.
Desde 2021, o Brasil dispõe da Lei de Incentivo à Reciclagem (LIR), que permite que empresas destinem uma parte do Imposto de Renda a projetos relacionados à reciclagem e economia circular. Essa iniciativa possibilita que o pagamento de impostos seja convertido em investimentos diretos em ações socioambientais, garantindo 100% de dedução sem custo adicional para a empresa. Embora similar a outros incentivos fiscais, como os voltados para cultura e esporte, a reciclagem ainda possui um espaço limitado no planejamento estratégico das empresas.
Um exemplo prático do potencial dessa lei é o projeto Composta Araraquara, que visa distribuir 500 composteiras domésticas gratuitamente e promover oficinas sobre compostagem na cidade. O projeto, liderado pela Minhocaria, espera impactar diretamente mais de 2 mil pessoas, desviando 266 toneladas de resíduos orgânicos de aterros e gerando 66 toneladas de adubo em um ano. Essa abordagem não apenas combate a crise de resíduos, mas também transforma a percepção das famílias sobre o que é considerado lixo.
O Composta Araraquara é construído sobre experiências prévias, como o Composta São Paulo, que evidenciou que a maioria das pessoas continuou a compostar após a conclusão do programa. A experiência prática, juntamente com o suporte técnico contínuo e uma comunidade ativa, são fatores essenciais para o sucesso de projetos de compostagem.
A disposição da população em participar dessas iniciativas é clara, com mais de 70% dos brasileiros afirmando interesse em separar seus resíduos orgânicos, mas enfrentando barreiras em relação à falta de informação e apoio do poder público. O Brasil gera cerca de 37 milhões de toneladas de resíduos orgânicos anualmente, mas menos de 1% é reaproveitado, resultando em custos elevados e poluição.
A compostagem doméstica e comunitária se apresenta como uma solução simples e escalável, mas requer apoio político, financiamento e educação para ser efetiva. A comunicação, nesse contexto, é uma infraestrutura essencial. Projetos como o Composta Araraquara buscam educar e engajar a comunidade, mostrando que a mudança de hábitos é um caminho possível e necessário.
Ao transformar resíduo em recurso e implementar ações coletivas, iniciativas de compostagem são passos significativos na direção de uma economia mais regenerativa. O futuro da gestão de resíduos está na união entre política pública, sociedade e iniciativas locais, começando pelas práticas de compostagem em nossos lares.
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