A disparidade na quantidade de carros elétricos e híbridos registrados em Brasília e nas cidades goianas do Entorno levanta suspeitas de fraude. A capital brasileira lidera o ranking de veículos eletrificados por habitante, enquanto os municípios vizinhos apresentam números alarmantemente baixos, indicando que a realidade local pode estar sendo manipulada.
Diferença chocante nos emplacamentos
Um levantamento revelador mostra que as oito maiores cidades do Entorno, que juntas possuem aproximadamente 1,2 milhão de moradores, somam apenas 57 carros eletrificados, o que equivale a menos de 5 veículos por 100 mil habitantes. Em contraste, o Distrito Federal apresenta uma taxa de 2.539 carros eletrificados por 100 mil habitantes, o que representa mais de 500 vezes a taxa do Entorno. Cidades como Santo Antônio do Descoberto e Cidade Ocidental não emplacaram nenhum modelo elétrico, realizando um comportamento bastante incomum em comparação com outras áreas próximas.
Esse abismo na quantidade de emplacamentos pode ser parcialmente explicado pela renda mais baixa dos habitantes do Entorno. No entanto, essa justificativa não parece suficiente. Cidades próximas, como Aparecida de Goiânia, que não fazem divisa com o DF, apresentam taxas significativas: Aparecida tem 291 veículos eletrificados por 100 mil habitantes, enquanto Senador Canedo e Trindade registram 344 e 250, respectivamente.
Suspeitas de irregularidades fiscais
As discrepâncias levaram o fisco de Goiás a investigar o fato de que muitos moradores do Entorno estão registrando seus veículos em Brasília, onde não pagam IPVA para carros elétricos e híbridos, uma vantagem que está garantida até o final de 2027. Em Goiás, a isenção não é oferecida, o que levanta questões sobre o registro fraudulentos desses veículos.
Em agosto de 2024, a Secretaria da Economia de Goiás e a Polícia Civil iniciaram a Operação Quíron, que mirou proprietários que residem em Goiás, mas registram seus carros no DF utilizando endereços falsos. A operação iniciou com 500 casos identificados e, em abril de 2025, o estado já havia recuperado mais de R$ 3 milhões. Os números continuaram a crescer, com cerca de 700 notificações e um prejuízo estimado em R$ 10 milhões até setembro de 2025.
As autoridades ainda não tornaram públicos os locais de residência dos investigados. Enquanto isso, o projeto que garante a isenção do IPVA para veículos eletrificados em Brasília avança, com tentativas de extensão até 2030 em discussão na Câmara Legislativa.

