Cientistas da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram um novo tipo de sensor biodegradável capaz de monitorar a saúde de plantas em tempo real. Utilizando uma tinta de carbono, esses dispositivos são impressos em bioplásticos flexíveis e transparentes, permitindo que sejam fixados em diferentes partes da planta, como caules e folhas. Com essa tecnologia, é possível medir uma série de parâmetros, como temperatura, umidade, desidratação e até a presença de pesticidas.
O sistema oferece uma forma de detecção não destrutiva e rápida, proporcionando informações em tempo real sobre a saúde da planta e suas condições ambientais. Os sensores têm sido destacados como uma das principais tecnologias emergentes do ano, devido ao seu potencial para aumentar a produtividade agrícola, ao mesmo tempo que respeitam a sustentabilidade.
Os dispositivos são compostos de acetato de celulose, um material derivado de resíduos agrícolas e biodegradável, em contraste com os sensores convencionais que utilizam polímeros plásticos não renováveis. Com propriedades como biocompatibilidade e flexibilidade, esse novo sensor é capaz de se adaptar a superfícies irregulares, o que amplia suas aplicações.
Cada sensor possui duas unidades que permitem a detecção simultânea de três classes de pesticidas. O custo estimado de cada unidade é de US$ 0,077, o que torna a tecnologia acessível para uso único. O processo de análise é rápido, levando apenas três minutos e vinte e oito segundos.
A identificação dos pesticidas é feita diretamente na planta, com uma gota de solução aquosa aplicada na área de interesse. A plataforma é conectada a um potenciostato portátil, que mede e exibe as informações em tempo real via bluetooth em dispositivos móveis. Esse tipo de inovação é crucial, pois pode impactar diretamente a segurança alimentar e a saúde pública.
Os pesquisadores também estão explorando a possibilidade de aplicar essa tecnologia em outros contextos, como a detecção de pesticidas em amostras de água e saliva. Essa versatilidade expande o alcance dos sensores, permitindo a monitorização de resíduos químicos de forma mais abrangente.
O desenvolvimento da tecnologia foi inspirado por experiências anteriores no exterior e pode representar um avanço significativo para o setor agrícola brasileiro, que é fundamental para a economia do país. As patentes para os sensores já foram requisitadas ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial.
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