A infraestrutura de recarga para veículos elétricos no Brasil registrou um crescimento expressivo, atingindo um total de 29.896 pontos públicos e semipúblicos. Esse crescimento, de pouco mais de 77% em um ano, reflete não apenas a ampliação da rede, mas também uma revolução na velocidade de abastecimento, com os pontos de recarga rápida em DC (corrente contínua) triplicando e agora correspondendo a 38,2% da totalidade dos pontos instalados no país.
Mudanças no padrão de instalação
Entre maio e agosto, o Brasil adicionou 4.441 novos eletropostos, sendo que 63% desse total (2.805 unidades) são de alta potência. Essa mudança no perfil de instalação é impulsionada pela redução de custos dos equipamentos, ganhando escala entre os operadores e aumentando a demanda por recargas durante viagens de média e longa distância, além da ampliação das frotas corporativas. A recarga lenta continua predominante em condomínios e escritórios, enquanto a recarga rápida vem se estabelecendo como a norma para novas instalações urbanas e rodoviárias.
Proporção de frota e raio-X regional
Atualmente, a frota de veículos plug-in no Brasil é estimada em 639.133 unidades, divididas entre 49% de totalmente elétricos e 51% de híbridos plug-in. Isso resulta em uma proporção de 21,4 automóveis para cada ponto de recarga público ou semipúblico. A cobertura geográfica já alcança 1.956 municípios, com destaque para o crescimento em cidades médias, polos turísticos e corredores logísticos. Estados das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste estão instalando proporcionalmente mais estações de recarga rápida que aqueles do Sudeste.
No Norte, 58,1% dos pontos de recarga são do tipo DC, com 49,7% no Nordeste e 45,9% no Centro-Oeste. Em contrapartida, no Sudeste, que concentra 42,4% da rede nacional, os pontos rápidos representam apenas 27,9% do total.
Desafios regulatórios e conexão à rede
Com a maturidade do mercado de equipamentos de recarga, os desafios atuais estão mais ligados à infraestrutura elétrica do que à disponibilidade de carregadores. O principal obstáculo diz respeito ao tempo e às exigências técnicas que as distribuidoras impõem para a conexão de novas cargas de alta potência à rede elétrica. Esse tema é parte da Consulta Pública 033/2026, aberta pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).
No âmbito residencial e predial, observou-se uma maior uniformidade técnica após a implementação de diretrizes nacionais do Corpo de Bombeiros e legislações estaduais, como a regulação paulista que garante o direito de instalação de carregadores em vagas privativas de condomínios.

