O Honda Civic, um dos sedãs mais icônicos e desejados no Brasil, registrou queda alarmante nas vendas: apenas 10 unidades comercializadas no primeiro semestre de 2026, em comparação com 977 no mesmo período de 2025. Essa drástica redução de 99% é um reflexo da transformação no mercado, onde os carros elétricos estão conquistando espaço rapidamente.
A diminuição nas vendas do Civic não se deve apenas à falta de demanda, mas também à sua produção. O modelo deixou de ser fabricado no Brasil e passou a ser importado da Tailândia, disponibilizado apenas na versão híbrida, com preço de R$ 266.500. Essa combinação de preço elevado e estoque limitado fez com que o sedã praticamente desaparecesse das concessionárias ao longo do último ano.
Apesar de a Honda afirmar que permanece faturando normalmente, com a expectativa de novos lotes para o segundo semestre, a realidade é que o Civic está perdendo mercado, especialmente para os SUVs e rivais híbridos. O Toyota Corolla, com suas versões híbrida e flex, e o BYD King, que alcançou mais de 8 mil emplacamentos no semestre, demonstram que existe uma demanda por sedãs. No entanto, para recuperar espaço, é fundamental que preço e disponibilidade estejam alinhados com o que o consumidor busca.
Essa queda nas vendas impactou também o valor de revenda do Civic. Na Tabela Fipe de julho, a versão híbrida do modelo estava cotada abaixo de R$ 180 mil, bem aquém do preço de um veículo novo.
Enquanto isso, o segmento de carros elétricos no Brasil mostra um crescimento robusto. O BYD Dolphin, por exemplo, saltou de 6.284 unidades vendidas no primeiro semestre de 2025 para 18.047 neste ano, uma impressionante alta de 187,2%. O grande destaque foi o BYD Dolphin Mini, que se consolidou como o carro mais vendido no varejo brasileiro, com 35.680 unidades, liderando o ranking por cinco meses consecutivos.
Esse desempenho elevou a BYD ao quarto lugar entre as montadoras mais vendidas no país, atrás apenas de Volkswagen, Fiat e Chevrolet. Ao todo, cerca de 99 mil veículos foram emplacados nos últimos seis meses, representando um crescimento de 107% em relação ao ano passado. Anteriormente, a ideia de um carro 100% elétrico entre os mais vendidos no Brasil parecia algo distante.
Esses dados revelam duas histórias distintas dentro de um mesmo mercado em transformação. De um lado, um sedã tradicional que, devido ao aumento de preço e à importação, perdeu espaço no mercado. Do outro, elétricos populares que ganharam preços mais competitivos e conquistaram a preferência do consumidor brasileiro. O resultado é um cenário dinâmico e em rápida evolução, em que as mudanças acontecem mais rápido do que muitos especialistas poderiam prever.
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